Viva a maternidade – Uma reflexão sobre a maternidade ontem e hoje

Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos. Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais – Lc 1.46 a 55

 

INTRODUÇÃO:

A respeito da ambiguidade do título proposto.

Ser mãe é…

Algo que vai além da capacidade de definição e da compreensão de alguém que nunca foi ou mesmo de quem já foi inúmeras vezes. Quem nunca foi mãe não faz a mínima ideia do que é ser mãe. Por outro lado, quem já foi mãe não consegue colocar em palavras o que significa ser mãe.

 

A MATERNIDADE ONTEM

A celebração da maternidade na Bíblia:

 

NO ANTIGO TESTAMENTO

A maternidade é uma dádiva de Deus:

  1. A dádiva original – Eva

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra – Gn 1.28

Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador – Gn 4.1 e 2

Assim como Eva milhares de outras mulheres se tornaram mães como extensão da dádiva original.

  • A dádiva miraculosa:
    • Sara

Visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu à luz um filho a Abraão na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome de Isaque – Gn 21.1 a 3

  • Rebeca

São estas as gerações de Isaque, filho de Abraão. Abraão gerou a Isaque; era Isaque de quarenta anos, quando tomou por esposa a Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, o arameu. Isaque orou ao SENHOR por sua mulher, porque ela era estéril; e o SENHOR lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu – Gn 25.19 a 21

  • Raquel

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve ciúmes de sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, senão morrerei. Então, Jacó se irou contra Raquel e disse: Acaso, estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre impediu frutificar? […] Lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a fez fecunda. Ela concebeu, deu à luz um filho e disse: Deus me tirou o meu vexame. E lhe chamou José, dizendo: Dê-me o SENHOR ainda outro filho – Gn 30.1,2 e 22 a 24

  • A Sunamita, anfitriã de Eliseu

Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, abraçarás um filho. Ela disse: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva. Concebeu a mulher e deu à luz um filho, no tempo determinado, quando fez um ano, segundo Eliseu lhe dissera – 2Rs 4.16 e 17

A ausência da maternidade era vista como um sinal de maldição:

Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão: […] Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas – Dt 28.15 e 18

Ana de Elcana:

Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita. Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha – 1Sm 1.1 e 2

Depois de ser agraciada por Deus com a dádiva da maternidade – 1Sm 1.19 e 20 – Ana louvou ao Senhor:

Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos, e a que tinha muitos filhos perde o vigor. O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta –1Sm 2.5 a 7

A Bíblia concede um espaço de honra a muitas mães e as distingue entre os grandes nomes da história da revelação.

Dois casos excepcionais no AT:

  1. Sara

Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa. Por isso, também de um, aliás já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar – Hb 11.11 e 12

 

  1. A mãe do Emanuel

Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel – Is 7.14

 

NO NOVO TESTAMENTO

Dois casos excepcionais:

  1. O Caso Isabel

Nos dias de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote chamado Zacarias, do turno de Abias. Sua mulher era das filhas de Arão e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor. E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, sendo eles avançados em dias […] Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João – Lc 1.5 a 7 e 13

  1. O Caso Maria

No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus –Lc 1.26 a 35

 

A MATERNIDADE HOJE

Algumas observações a respeito da maternidade ou ausência dela:

  • Tempos difíceis

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder – 2Tm 3.1 a 5

Paulo faz uma projeção sombria a respeito do perfil da sociedade dos últimos dias. A atitude da sociedade dos últimos dias em relação a Deus e as autoridades é um reflexo do nível decadente da moral dessa sociedade.

Uma das características da sociedade pós-moderna é “desobedientes aos pais”. Tanto a paternidade como a maternidade serão penosas numa realidade de desprezo e desafio às autoridades.

  • Transvaloração ética

Nietzche, em seus escritos propôs uma transvaloração ética:

Nietzsche constata que tudo que recebera de conceito sobre a moral advinha de leis, tradições e instituições que não podiam garantir a veracidade do conceito de moral. Portanto, o filósofo alemão constrói sua filosofia baseada numa crítica à moral, aos valores que foram impostos pela sociedade. A obra “Genealogia da Moral: Uma Polêmica” realiza uma crítica radical ao conceito que recebera de moral. O filosofo diz: “não vejo ninguém que tenha ousado fazer uma crítica dos juízos de valores morais […] Até o momento ninguém examinou o valor da mais famosa das medicinas chamada moral: […]. Esse é justamente nosso projeto”. […] O filósofo chega à conclusão de que a moral é uma interpretação que busca atender às necessidades e interesses pessoais. […] Ao perceber que as instituições são as principais responsáveis por transmitir a moral, Nietzsche afirma que essa moral está muito distante de ser aquilo que deveria ser. E propõe que se viva de uma forma diferente: com mais intensidade, autenticidade e sem projeções para uma vida futura. Isto seria viver de forma mesquinha esperando que essa força de viver viesse das classes dominantes ou das instituições. […] A grande proposta do nosso autor é que aconteça uma transvaloração de todos os valores que foram recebidos e negados, proibidos. A moral consiste na “transvaloração de todos os valores, em um desprender-se de todos os valores morais, e um confiar e dizer Sim a tudo o que até aqui foi proibido,desprezado, maldito”.

(Fonte: https://pensamentoextemporaneo.com.br)

Se por um lado a transvaloração ética de Nietzsche tende a desvalorizar tudo o que é visto como valioso para cristandade há outro mal a ser evitado. Trata-se de uma atitude/comportamento de excessiva valorização da maternidade em detrimento ao valor inerente da mulher privada, por motivos variados, dessa dádiva.

A maternidade é um dos valores da fé cristã. Como cristãos somos ensinados a ver na maternidade uma dádiva a ser recebida com alegria e gratidão a Deus.

Na transvaloração de Nietzsche todos os valores cristãos devem ser questionados e trocados por valores que representem o sentido oposto.

  • Dádiva não pode ser obrigação

Há inúmeros casos de mulheres que, assim como Sara, Rebeca, Raquel e Ana não conseguem ter filhos.

Na sociedade pós-moderna essas mulheres são vistas como “cidadãs de segunda classe”.

A maternidade ou a ausência dela não pode ser objeto de discriminação, depreciação ou falta de cortesia.

Nenhuma mulher não deve ser obrigada a ser mãe.

  • Celebrar e acolher

Diferindo da proposta de Nietzsche de jogar fora toda a moralidade cristã e da maneira equivocada da sociedade em lidar com a maternidade ou ausência dela.

Devemos:

  • Celebrar a maternidade

Se alguma mulher vir a ser mãe a igreja deve se alegrar com ela.

  • Acolher e respeitar quem não pode ou não deseja ser mãe

Se uma mulher não pode ou não quer ser mãe deve ser aceita e acolhida na comunidade com o mesmo carinho e atenção.

 

APLICAÇÃO:

Na contramão da transvaloração de Nietzsche e da sociedade pós-moderna precisamos ouvir os conselhos do sábio.

Conselhos do sábio aos filhos que almejam possuir a sabedoria:

  • Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe – Pv 1.8
  • Meu filho,obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe – Pv 6.20
  • O filho sábio dá alegria ao pai; o filho tolo dá tristeza à mãe – Pv 10.1
  • O filho sábio dá alegria a seu pai, mas o tolo despreza a sua mãe – Pv 15.20
  • O filho que rouba o pai e expulsa a mãe é causador de vergonha e desonra – Pv 19.26
  • Se alguém amaldiçoar seu pai ou sua mãe, a luz de sua vida se extinguirá na mais profunda escuridão – Pv 20.20
  • Ouça o seu pai, que o gerou; não despreze sua mãe quando ela envelhecer – Pv 23.22
  • Bom será que se alegrem seu pai e sua mãe e que exulte a mulher que o deu à luz! – Pv 23.25
  • A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe – Pv 29.15
  • Os olhos de quem zomba do pai, e, zombando, nega obediência à mãe, serão arrancados pelos corvos do vale, e serão devorados pelos filhotes do abutre – Pv 30.17

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