Lugar de Restautação

INTRODUÇÃO

A casa do Pai é:

  1. Onde está o Pai
  2. Onde está o Filho
  3. Onde está o Espírito do Pai e do Filho
  4. Onde estão os filhos do Pai reunidos em torno do Pai, do Filho e do Espírito

Nesta reflexão iremos ver primeiramente o Filho encarnado indo a Jericó e fazendo da casa de um publicano a Casa do Pai. Noutro momento iremos com o filho ressurreto a um recanto em Emaús onde o Filho se revela a dois discípulos e restaura-lhes a alegria, a esperança e a fé.

  1. EM JERICÓ – NA CASA DE ZAQUEU

Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura. Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria. Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador. Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido – Lc 19.1 a 10

Os versos 9 e 10 diz:

Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido – versos 9 e 10 (grifo nosso)

ANÁLISE ETMOLÓGICA:

Salvação é sōtēria, (σωτηρία) – indica o ato salvar, livrar, proteger, curar, preservar, restaurar, tornar íntegro.

Salvar é sōsai, (σωσαι) – indica manter salvo, proteger, preservar, salvar de perigo, restaurar.

O termo perdido é apolōlos– (απολωλος) – derivado de apolymi indica algo destruído, morto, perdido, arruinado, perecimento, algo extraviado, algo arruinado que precisa ser restaurado caso contrário irá perecer.

O mesmo termo apoletai é usado em João 3.16

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, (αποληται) mas tenha a vida eterna.

 

Jesus disse que a salvação – a restauração de Deus – havia chegado à casa de Zaqueu porque ele estava perdido – arruinado, destruído – mas agora por seu novo status perante Deus e sua aliança com Abraão ele estava restaurado.

Salvação envolve ser reintegrado à aliança de Deus com Abraão – “pois também este é filho de Abraão” – verso 9.

Jesus, o mediador da nova aliança estava dando a Zaqueu um novo status.

Por causa de sua vida dominada pelo pecado da ganância, transgredindo o décimo mandamento, estava privado dos benefícios da aliança de Deus com Abraão.

Sendo filho de Abraão por herança sanguínea ele não era por fé.

Jesus usa sua prerrogativa de filho de Abraão para conceder a Zaqueu um novo status.

Zaqueu foi restaurado a uma posição perdida em função do pecado.

Sobre Zaqueu:

  • Zaqueu era um publicano

Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura – versos 1 a 3

  • Zaqueu roubava nas duas extremidades de seu ofício – do contribuinte judeu e do governo romano.
  • Zaqueu era odiado por seus patrícios – os judeus o viam como um traidor da pátria, um vendido ao império romano.
  • Zaqueu sabia que estava pecando contra Deus, a lei de Moisés, o povo e o governo romano.
  • Zaqueu quis emendar-se.
  • Zaqueu foi salvo – restaurado – por Jesus imediatamente.

O pecado nos separa de Deus e nos impede de usufruir o que Deus tem melhor para nós:

Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça – Is 59.1 e 2

… pois todos pecaram e carecem da glória de Deus – Rm 3.23

A salvação nos dá um novo status:

  • Jesus assumiu nossa humanidade para nos re-humanizar.
  • O pecado é desumanizante.
  • Por meio de Cristo somos re-humanizados.

A restauração de Deus é imediata:

Logo após a confissão comprometedora e compromissada de Zaqueu Jesus o declarou justificado perante Deus:

Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido – versos 8 a 10

Jesus reputou sua confissão como suficiente para declará-lo justo. Zaqueu certamente deve ter feito o que disse que faria, mas Jesus não aguardou que ele fizesse para declará-lo restaurado perante Deus.

Abraão creu em Deus e foi declarado justificado perante Deus:

Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça – Gn 15.6

Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça – Rm 4.2 e 3

Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão – Gl 3.5 a 7

E ainda:

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido – Gl 3.13 e 14

Assim também a confissão de Zaqueu foi suficiente para que fosse restaurado em seu status de justificado perante Deus:

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo – Rm 5.1

Na casa de Zaqueu, convertida em Casa do Pai, houve uma restauração completa e imediata. Zaqueu estava perdido e foi salvo, estava condenado e foi justificado pela fé em Cristo.

  1. NUM RECANTO EM EMAÚS

Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão! Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão – Lc 24.13 a 35

Cleopas e o outro discípulo desciam de Jerusalém para Emaús. Não sabemos quem era o outro discípulo. Alguns acreditam que era a esposa de Cleopas, talvez. Talvez um irmão dele ou mesmo um amigo que partilhavam da mesma fé e do mesmo hábito de frequentar as águas termais de Emaús.

Era domingo à tarde. O domingo da ressurreição. A notícia da ressurreição de Jesus já estava sendo divulgada entre os discípulos. Na cidade de Jerusalém a versão corrente era de que os discípulos haviam roubado o corpo de Jesus – Mt 28.11 a 15.

Jesus os encontrou no caminho de Emaús:

Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos – versos 15 a 17

Eles estavam tristes e decepcionados, desanimados, sem esperança e sem fé:

Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram – versos 21 a 24

Jesus os ouviu, os repreendeu, andou com eles e lhes expôs as Escrituras:

Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras – versos 25 a 27

Ao chegar a Emaús Jesus aceitou entrar na casa deles e sentou-se à mesa com eles. Jesus se revelou a eles no partir do pão:

Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles – versos 28 a 31

Jesus lhes restaurou a alegria, a esperança e a fé.

E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão! Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão – versos 32 a 35

Eles desceram para Emaús porque estavam tristes, sem esperança e sem fé. Depois de encontrarem Jesus, ou melhor, serem encontrado por Jesus, no caminho de Emaús eles fazem o caminho contrário e voltam a Jerusalém cheios de alegria, esperança e fé. Emaús ficava, a mais ou menos 11 quilômetros de Jerusalém, era uma caminhada de pelo menos umas 3 horas e agora de subida. E já havia escurecido. Eles devem ter chegado a Jerusalém por volta das 9 ou 10 horas da noite.

Renovada a alegria, a esperança e a fé os discípulos esqueceram as águas termais de Emaús:

  • Os desanimados caminham ladeira abaixo, os animados caminham ladeira acima.

A presença do Filho na choupana de Emaús fez daquele lugar Casa do Pai, lugar de restauração.

CONCLUSÃO:

O mais odiado pecador de Jericó foi restaurado pelo Filho.

Os discípulos desalentados tiveram sua alegria, esperança e fé restauradas pelo Filho.

Não importa o seu status perante Deus, se você é um pecador arrependido, para você há restauração na Casa do Pai.

Se você é um cristão que está cansado da caminhada, sua alegria se foi, sua esperança está morrendo à míngua e sua fé está cambaleante. Na Casa do Pai o Filho está disposto a restaurar-lhe a alegria, a esperança e a fé.

O notório pecador é justificado e o discípulo desanimado recebe novo alento na Casa do Pai.

 

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