Como o viram subir

UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE A PROMESSA, A NECESSIDADE E A CERTEZA DO IMINENTE RETORNO DE JESUS CRISTO

Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo”. Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?” Ele lhes respondeu: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”. Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles. E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia. De repente surgiram diante deles dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir” – Atos 1.4 a11 (NVI)

 

INTRODUÇÃO

Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.

E em Jesus Cristo, seu Filho único, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos. […]

RAZÕES PARA NÃO FALAR SOBRE A SEGUNDA VINDA CRISTO:

  1. Gerar incompreensões
  2. Alimentar histerias e alarmismos
  3. Há muito o que falar e pouco tempo disponível

RAZÕES PARA FALAR SOBRE A SEGUNDA VINDA CRISTO:

  1. É um assunto bíblico de elevada importância
  2. É parte do Evangelho de Cristo e sua coroa
  3. É necessário alertar o povo de Deus quanto à certeza e iminência do assunto

Quando o assunto é a segunda vinda de Cristo (a Parousia) sempre houve uma discussão a respeito da ocasião em que ela se dará. Mas nesse sermão nos concentraremos no fato da Parousia.

O fato é: Ele virá

Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao céu, voltará da mesma forma como o viram subir” – At 1.11b

Cremos no retorno visível de Jesus Cristo:

Cremos na volta pessoal e visível de Jesus Cristo a este mundo para arrebatar a Sua Igreja, estabelecer o Seu Reino Milenar e finalmente reinar por toda a eternidade. (Mt 25.31-46; 2Co 5.10; 2Ts 1.7-10; Ap 19.7-9; 20.1-15; 22.1-5) Confissão de Fé da Igreja Evangélica Livre em Valinhos

  • O Senhor Jesus voltará dos céus com poder e grande glória:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus – Mt 24.29 a 31

  • Todo olho o verá:

Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém! Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso – Ap 1.7 e 8

O que alegam os que dizem o contrário?

Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação – 2Pe 3.1 a 4

O que eles ignoram?

Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas – 2Pe 3.5 a 10

 

I – A PROMESSA DE SUA VINDA

A Bíblia nos fala da primeira e da segunda vinda de Jesus Cristo.

  • A Escatologia Concluída – Jesus veio:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar – Gn 3.15

O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos – Gn 49.10

O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás – Dt 18.15

Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel – Is 7.14

Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios. Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito. Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina – Is 42.1 a 4

Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido – Is 53.1 a 4

E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade – Mq 5.2

Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras – Lc 24.25 a 27

  • A Escatologia a ser Concluída – Jesus virá

Os profetas profetizaram sobre duas vindas:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto – Is 9.6 e 7

Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra […] Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel, a sua interpretação – Dn 2.34 e 35; 44 e 45

Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão – Dn 7.26 e 27

Naquele dia, procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém. E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito – Zc 12.9 e 10

Jesus disse que voltaria:

No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. […] Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem – Mt 24.3 e 7 (editado)

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória – Mt 24.29 e 30

Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino – Mt 16.27 e 28

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também – Jo 14.1 a 3

Os apóstolos também que Jesus voltará:

Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima – Tg 5.8

Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas –2Pe 3.9 e 10

João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono – Ap 1.4

Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso – Ap 1.8

E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir – Ap 4.8

 

II – A NECESSIDADE DE SUA VINDA

Há duas modalidades de necessidades a serem consideradas:

  • Necessidade Lógica:

A obra de Jesus foi concluída na cruz:

Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito – Jo 19.30

A redenção foi garantida na cruz. Porém, há um “ainda não” no que diz respeito à consumação da redenção.

Sobre isso o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, organizado por Colin Brown, nos informa que:

Sempre que os homens, por sua própria culpa ou através de algum poder superior ficam submetidos ao controle de outra pessoa, e perdem sua liberdade para implementar a vontade e as suas decisões, e quando seus próprios recursos são inadequados para enfrentar aquele outro poder, podem obter de novo sua liberdade somente mediante intervenção de um terceiro. No NT, conforme o aspecto encarado, o grupo de palavras gregas associado com lyō, sozō, rhyomai, é empregado para expressar semelhante intervenção (…) No NT, estes termos se empregam de modo preeminente para a obra redentora de Cristo.

Lyō – soltar, livrar e libertar – ênfase sobre o ato de comprar para libertar:

Lyō – o termo significa basicamente “soltar, desligar, livrar, libertar, anular, abolir”, e como verbo denominativo dá origem a Iysis (soltura, divórcio), katalyō (quarto de visitas), akatalytos (indestrutível), eklyō (ficar solto, ficar cansado, ficar fraco), apolyō (livrar, libertar, soltar, perdoar, deixar ir, mandar embora, demitir, divorciar). No NT vemos o termo sendo aplicado em diversas ocasiões, tais como desatar a sandália (Mc1.7; Lc 3.16; Jo 1.27; At 13.25; At 7.33 em relação a Ex 3.5), soltar o filhote da jumenta (Mt 21.2; Mc11.2, 4-5; Lc 19.30-31, 33), soltar as cadeias de Paulo (At 22.30), desatar as ataduras de Lázaro (Jo 11.44), entre outros. Na verdade, o termo em paute é utilizado com quatro sentidos básico: (1) Libertar, Desligar, e é aplicado a Anjos (Ap 9.14-15) e a Satanás (Ap 20.3,7); (2) Em Lc 13.15-16 Jesus apresenta o conceito de libertar alguém de um problema espiritual (doença), que neste caso trata-se de um espírito de enfermidade. Sentido semelhante é visto em Mc.7 35; (3) Quebrar, desfazer (At 13.43), destruir (At 27.41); (4) Soltar, livrar da morte e do pecado (At 2.24; Ap 1.5) Em At 2.24 vemos que a ressurreição de Jesus rompeu os grilhões da morte, e em Ap 1.5 que o seus sangue nos libertou dos nossos pecados (Ap 5.9; 7.14).

Lytron – ênfase sobre o preço pago:

Na LXX lytron traduz o termo hebraico kopper (cobir) em Ex 21.30; 30.12; Nm 31, 32; Pv 6.35; 13.8, com o sentido de oferta em troca por uma vida que está condenada ou está sujeita a castigo divino. Traduz também alguns termos variantes de padâ (resgatar, redimir) como podemos observar em Nm 3.46-51. Em Lv 19.20 e Nm 18.35, onde vemos claramente o sentido da ação da redenção, bem como seu preço que deve ser pago aos primogênitos dos homens e dos animais que pertencem a Deus (sacrifício de um animal: Ex 13.13, 15; 34.20; pagamento em dinheiro: Ex 30.13-16; Nm 18.15-16). Também traduz ga’al no caso do parente que tinha o direito e a obrigação de agir como redentor-parente (Lv 25.24, 26, 51-52). O sentido mais comum do termo pode ser percebido em Jr 32.7. […] A princípio, o termo não tem aplicação religiosa, mas legal e civil. No NT as declarações são mais claras e diretas, observe: “tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28; Mc10.45; 1Tm 2.6). A declaração de Jesus é feita em um contexto de liderança, quando Jesus apresenta o conceito de que veio para servir (Lc 22.27). Aliás o foco é o serviço, mas Ele complemento com a expressão “dar sua vida em resgate de muitos”. Ao que tudo indica, parte de serviço de Cristo foi oferecer-se a Deus como pagamento efetivo da dívida do homem perante Deus.

Agorazō– ênfase sobre o resgate dos adquiridos:

Agorazō– No NT esse uso parece majoritário (cf. Mt 13:44, 46; 14:15; 21:12; 25:9f; 27:7; Mc 6:36f; 11:15; 15:46; 16:1; Lc 9:13; 14:18f; 17:28; 22:36; Jo 4:8; 6:5; 13:29; Ap 3:18). Entretanto, alguns textos merecem nossa atenção: “Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens” (1Co 7.23; cf. 6.20). A ideia é que estávamos vendidos a escravidão, mas Deus nos comprou para si. A ideia presente neste texto aponta para uma compra de alto valor. Assim, podemos concluir que essa compra implicou no pagamento de um preço alto (2Pe 2.1), que é o sangue do próprio Messias (Ap 5.9, 10) e deságua diretamente no serviço daquele que foi comprado em benefício do comprador (1Co 6.19, 20; 7.22, 23). Neste ponto ainda, é importante ressaltar um uso distinto do vocábulo em questão. Por vezes, encontra-se tal vocábulo precedido pela preposição “ex”, formando o vocábulo “exagorazō”. Em Gl 3.13 nota-se claramente a ideia de resgatar. Ou seja, o termo preposicionado por “ex” traz um sentido de ser comprado para nunca mais retornar à condição anterior a compra (Gl 3.13).

A doutrina cristã da redenção tem 3 elementos: 1) Lyō – a compra; 2) Lytron – o preço; e 3) Agorazō – a posse definitiva do que foi comprado. Sem o terceiro elemento a redenção não se conclui. Jesus nos comprou com o seu sangue e nos deu o Espírito Santo como garantia do resgate de sua posse:

…nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória – Ef 1.11 a 14

  • A Necessidade Figurativa:

O Lenço Dobrado:

Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou no sepulcro. Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte – Jo 20.6 e 7

Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição? Poucas pessoas nunca haviam detido a atenção a esse detalhe. O lenço que fora colocado sobre a face de Jesus, não foi apenas deixado de lado, como os lençóis no túmulo. A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos dizer que o lenço foi dobrado cuidadosamente e colocado na cabeceira do túmulo de pedra.

O lenço dobrado tem que a ver com o Amo e o Servo, e todo menino Judeu conhecia essa tradição:

Quando o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo, ele buscava ter certeza em fazê-lo exatamente da maneira que seu Amo queria. A mesa era colocada perfeitamente, e o Servo esperava, fora da visão do Amo, até que o mesmo terminasse a refeição.

O Servo não podia se atrever nunca, a tocar na mesa antes que o Amo tivesse terminado a sua refeição.

Diz a tradição que: ao terminar a refeição, o Amo se levantava, limpava os dedos, a boca e sua barba, e embolava o lenço e o jogava sobre a mesa. Naquele tempo o lenço embolado queria dizer: “Eu terminei.”

No entanto, se o Amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o Servo jamais ousaria tocar na mesa porque, o lenço dobrado queria dizer: “Eu voltarei!”

A Figura da Mulher Grávida:

Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão – 1Ts 5.13

Paulo fala da história como estando grávida do reino de Deus. Uma mulher grávida ou aborta ou dá à luz. Não há uma terceira opção. Ela não pode ficar grávida para sempre. Uma criança gerada, morre durante a gestação ou nasce ao final dela.

  1. A Parousia Deduzida pelas parábolas:

Por meio das parábolas de Jesus alusivas à sua segunda vinda nós podemos deduzir a certeza de seu iminente retorno visível

  • A Figura do Noivo:

Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora – Mt 25.1 a 13

Jesus é o noivo, a igreja é sua noiva. Jesus comprou sua noiva com o seu sangue. A noiva custou muito caro para ser deixada esperando o noivo no altar.

  1. A Figura do Proprietário de Terras e seus Empregados

Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles – Mt 25.14 a 19 (Mt 21.33 a 40; Mc 13.32 a 37; Lc 19.11 a 27)

O senhor da exigirá que seus servos prestem contas e virá para essa finalidade.

 

III – A CERTEZA DE SUA VINDA

Há ensinos explícitos a respeito do iminente retorno físico de Jesus Cristo.

  • O ensino de Paulo:

E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz – Rm 13.11 e 12

Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor – Fp 4.5

Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. 1Ts 4.13 a 17

Sobre a visão escatológica de Paulo:

Baird sugere que o aspecto distintivo do modo de Paulo entender a escatologia é a sua variedade (op. cit., 325). Não dá um retrato apocalíptico claro e simples do fim. Sua linguagem é tirada de fontes externas e não se emprega com ênfase uniforme. Isto porque, em última análise, Paulo emprega linguagem figurada para descrever um futuro indescritível. Não tem uma doutrina “helenística” distintiva da vida após a morte. Não há qualquer padrão nítido de desenvolvimento. Baird, no entanto, nota os seguintes fatores constantes (op. cit., 325 e segs.). (i) A morte e a ressurreição de Cristo como eventos escatológicos decisivos já ocorreram, e são a base da esperança e fé do próprio crente (1Ts 4.14; 1Co 15.3,12-14; 2Co 4.14; cf. Fp 2.8-11; 3.18,10-21; Rm 8.17). (ii) Haverá uma consumação futura, quando, então, será cumprido o propósito de Deus. Há várias maneiras de descrevê-la: a parusia de Cristo (1Ts 4.15; 1Co 15.23); o tribunal de Cristo (1Co 5.10) ou Deus (Rm 14.10); a sujeição de todas as coisas a Cristo (1Co 15.24 e segs.; Fp 3.21); o reconhecimento universal de Cristo (Fp 2.10-11); e a sujeição de todas as coisas a Deus (1Co 15.28). Posto que o futuro permanece oculto (Rm 11.33-36), é impossível a descrição precisa (cf. Rm 8.23). (iii) O futuro pode ser enfrentado com confiança por causa da união com Cristo. Mais uma vez, há diferença entre as figuras de linguagem, quanto aos pormenores (Rm 13.14; 1Co 15.23; 2Co 5.8; Fp 1.23; 3.21; 1Ts 4.17; 5.10). (iv) O presente é condicionado pela ocorrência escatológica do passado, e pela esperança da consumação futura. O aspecto realizado fica aparente somente aos olhos da fé. Além disto, é o fundamento da exortação e do argumento. (COENEN & BROWN, Vol. II, p. 1837)

  • Argumentação por Congruidade:

O que é congruidade?

Congruidade – congruência (sinônimo), coerência, harmonia duma coisa com o fim a que se destina. Um cientista, Percival Lowell, reparou certas variações no movimento do planeta Netuno. Ele concluiu que deveria ser algum corpo grande naquela região que causou as variações. Estudo cuidadoso daquela parte do céu com telescópio, em 1930 levou à descoberta do planeta não conhecido, Plutão. Então, com os fatos que tinham antes, Lowell postulou algo que explicaria e harmonizaria com os fatos que ele tinha. (THEISSEN).

A Parousia é uma promessa e uma doutrina bíblica:

  1. Os profetas profetizaram duas vindas do Messias
  2. Jesus Cristo disse que voltaria
  3. Os apóstolos, inclusive Paulo, ensinaram que Jesus voltará

A Parousia é uma necessidade:

  1. Lógica em função da doutrina bíblica da redenção
  2. Figurada no lenço dobrado, na figura da mulher grávida e nas figuras do noivo e do proprietário de terras

A Parousia é uma certeza:

Os sinais são fartamente evidentes:

No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.  E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores. Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. […] Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto!, não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa!, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. […] Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra – Mt 24.1 a 14; 23 a 29 e 36 a 41

Quem busca evidências para o retorno iminente de Jesus Cristo não precisa mais buscar nas páginas das Escrituras basta ler as notícias dos jornais diários.

 

CONCLUSÃO

Concluo valendo-me das palavras de Jüngen Moltman:

Moltmann alega que parousia não significa a “volta” de alguém, mas, sim, a “chegada iminente”. Pode também significar “presença”, no sentido de uma “presença aguardada”. “A parusia de Cristo é uma coisa diferente de uma realidade que agora se experimenta e agora se dá. Em comparação com aquilo que agora pode ser experimentado, traz algo novo. Não é, porém, só por isso, algo totalmente separado da realidade que agora podemos experimentar, e na qual devemos viver agora; pelo contrário, como futuro que realmente há de vir, opera sobre o presente, ao despertar esperanças e estabelecer resistência. O eschaton da parusia de Cristo, como resultado da sua promessa escatológica, faz com que o presente, que pode ser experimentado a qualquer dado momento, se torne histórico ao romper-se do passado e ao irromper-se em direção às coisas que hão de vir… A esperança cristã espera do futuro de Cristo não somente o desvendamento, como também a realização final. Esta última trará consigo a redenção da promessa que a cruz e a ressurreição de Cristo contêm para os Seus e para o mundo” (Theology o f Hope, 227-8).

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