A mãe do meu Senhor

Naqueles dias, dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor – Lc 1.39 a 45

 

QUEM ERA MARIA?

Maria era uma jovem descendente de Davi, da tribo de Judá. Ao surgir no relato bíblico provavelmente ela teria uns 17 anos de idade.

No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. […] Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. […] José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida – Lc 1.26, 27, 32, 33 e 2.4 e 5

A Bíblia não diz quem eram seus pais, embora a tradição diga que seus pais se chamavam Joaquim e Ana. Não sabemos onde Maria nasceu – provavelmente tenha nascido em Nazaré, na região da Galileia, embora fosse descendente de Davi.

Maria foi desposada por José – significava que estava noiva dele. Quando o anjo lhe apareceu ela e José não moravam juntos. O noivado já era um compromisso vital e podia ser considerado um casamento prévio.

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente – Mt 1.18 e 19

Maria e José possivelmente eram primos. Maria era prima de Isabel que era esposa de Zacarias e mãe de João Batista. Talvez Isabel fosse irmã de José.

E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril – Lc 1.36

Maria foi agraciada por Deus com a missão de trazer ao mundo o seu Filho Jesus Cristo:

No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus – Lc 1.26 a 35

 

EM QUE CONSISTE SER AGRACIADA POR DEUS?

E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo – Lc 1.28

 

A interpretação dessa saudação angelical tem sido motivo de controvérsias. Muitos teólogos, no decorrer da história cristã, interpretaram essa saudação de maneiras que vão além daquilo que as Escrituras disseram. Daí surgir uma Maria diferente daquela retratada nas Escrituras.

MARIA DA TRADIÇÃO:

A tradição, por meio de Dogmas e Bulas Papais foi conferindo a Maria títulos.

  • Mãe de Deus:

A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se a Virgem Santa como a Mãe de Jesus, como também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431. Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotókos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que Ele é Deus (Jo 20.28; cf. 5.18; 10.30 e 33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (Mt 1.22-23).

  • Imaculada:

Em 8 de dezembro de 1854, por meio da Bula Ineffabilis Deus o papa Pio IX estabeleceu o Dogma da Imaculada Conceição de Maria.

  1. Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria “foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão”. O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como “cheia de graça”. Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus. […] 491. “Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição”.

 

  • Eternamente Virgem

“Se alguém, segundo os Santos Padres, não confessa que própria e verdadeiramente é Mãe de Deus a santa e sempre Virgem e Imaculada Maria, já que concebeu nos últimos tempos sem sêmen, do Espírito Santo, o próprio Deus-Verbo (…), e que deu à luz sem corrupção, permanecendo a sua virgindade indissolúvel mesmo depois do parto, seja anátema” (DS 255,649).

 

  • Co-redentora:

João Paulo II usou essa expressão “co-redentora” sete vezes, vamos explicar. A Igreja viveu um século de ouro da Mariologia. Nunca a Igreja se desenvolveu tanto na Mariologia como neste século. E nesta mesma época aconteceu duas aparições reconhecidas pelo magistério da Igreja, a de Lourdes e a de Fátima. Existem dois dogmas de Maria nela mesma, de mãe de Deus e da Virgindade perpétua. Porém ainda faltava a parte de Maria para conosco. O que Maria é em relação a nós? Maria é mediadora de todas as graças, todas as graças vêm a nós por meio de Maria. Ela participa da redenção, por isso é co-redentora, pois participou da redenção como nenhum outro santo participa.

 

MARIA DAS ESCRITURAS:

  • A Maria das Escrituras é uma mulher como todas as mulheres.
  • Maria nasceu como todas as mulheres nascem.
  • Maria pecou como todos nós pecamos.
  • Maria não é eterna, ele surgiu no tempo, como todos nós. É mãe de Deus no sentido limitado do termo
  • Maria foi virgem até o nascimento de Jesus Cristo e depois teve filhos e filhas com seu marido José.
  • Maria não tem um papel de co-redentora da humanidade – At 4.12.

Embora os evangelhos nos forneçam poucas informações sobre Maria, podemos aprender algumas coisas a respeito dela.

 

A JOVEM VIRGEM DE NAZARÉ

Maria era uma jovem judia, descendente de Davi e como todas as demais jovens de seus dias sonhava ser a mãe do Messias. Embora fosse uma jovem quando o anjo lhe apareceu, Maria demonstra grande maturidade e simplicidade.

 

JUVENTUDE E MATURIDADE

Havia em Maria o frescor da juventude e a seriedade e piedade de uma pessoa madura. O anjo se dirigiu a ela com palavras que inferem um elevado grau de compreensão. Maria não era uma jovem tola que não sabia discernir o que o anjo estava lhe dizendo.

A maturidade de Maria indica que ela foi instruída, e bem instruída, por seus pais. Uma jovem instruída na Lei do Senhor sabia muito bem qual é o seu lugar no mundo e no plano eterno de Deus.

 

SIMPLICIDADE E OBEDIÊNCIA PRONTA

A maturidade de Maria se revela em sua simplicidade. Não se vê em Maria traços de arrogância ou noção de que tivesse algum mérito diante de Deus. Ela viu na eleição de Deus o fundamento da sua escolha.

Ao ouvir o anúncio do anjo e ter suas dúvidas sanadas a resposta de Maria indica prontidão, disposição e disponibilidade.

Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra – Lc 1.38

 

FILHA DE ABRAÃO, FILHA DA ALIANÇA

O ser agraciada – Lc 1.28 – implica em ser objeto da graça de Deus. Não pode haver aí nenhuma noção de mérito da parte de quem é agraciado. Maria não é alguém “cheio de graça”, ela foi “enchida de graça” pelo Deus de toda graça e porque em seu ventre estava sendo formado o Filho de Deus que é o Unigênito de Deus “cheio de graça e verdade” – Jo 1.14.

O agraciamento de Maria é fruto da aliança de Deus com o seu povo Israel. Desde Abraão Deus age graciosamente para com o seu povo. Maria recebe em seu corpo a efetivação da promessa de Deus a Abraão e a Davi. Assim, Maria é alguém que é inserida no plano eterno de Deus. Essa é a verdadeira interpretação da saudação do anjo.

 

Quem é o Deus de Maria?

  • O DEUS DE MARIA

Maria só pode ser quem foi porque creu no Deus de toda graça e amor. Em seu cântico ela expressa essa verdade de forma esplêndida.

Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos. Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos. Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais – Lc 1.46 a 55

 

  • O DEUS DE TODA GRAÇA

Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus – Lc 1.30

 

  • O ÚNICO DIGNO DE TODA ADORAÇÃO

Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor – Lc 1.46

 

  • A FONTE DE TODA ALEGRIA

…e o meu espírito se alegrou em Deus – Lc. 1.47a

 

Maria reconhecia que sua alegria provém de Deus – Sl 37.4.

  • O SALVADOR DE MARIA E DE TODOS OS HOMENS

…Deus, meu Salvador – Lc 1.47b

 

  • DEUS DE TODA CONDESCENDÊNCIA

…porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada – Lc 1.48

 

Para essa parte do cântico Maria teve duas fontes de inspiração:

O Cântico de Ana:

O meu coração se regozija no SENHOR, a minha força está exaltada no SENHOR; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação. Não há santo como o SENHOR; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus. Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o SENHOR é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança. O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força. Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos, e a que tinha muitos filhos perde o vigor. O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo – 1Sm 2.1 a 8

 

O salmo 113:

Excelso é o SENHOR, acima de todas as nações, e a sua glória, acima dos céus. Quem há semelhante ao SENHOR, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo. Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia! – Sl 113.4 a 9

 

f) O PODEROSO QUE FAZ GRANDES COISAS

…porque o Poderoso me fez grandes coisas – Lc 1.49a

 

g) AQUELE CUJO NOME É SANTO

Santo é o seu nome – Lc 1.49b

 

h) AQUELE CUJA MISERICÓRDIA NÃO TEM FIM

…sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. […] Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia – Lc 1.50 e 54

 

i) AQUELE QUE RESISTE AOS SOBERBOS, MAS DÁ GRAÇA AOS HUMILDES

Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos. Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos – Lc 1.51 a 53

 

j) AQUELE CUJA FIDELIDADE É ETERNA

Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais – Lc. 154 e 55

 

III. A BEM-AVENTURANÇA DE MARIA

A bem-aventurança de Maria, num sentido estrito é somente dela, mas num sentido mais amplo pode ser nossa também. A bem-aventurança de Maria é para:

  1. QUEM CONHECE O DEUS DE MARIA
  2. QUEM CRÊ NO DEUS DE MARIA
  3. QUEM CONFESSA QUE DEUS É SEU SENHOR E SALVADOR
  4. QUEM OBEDECE AO DEUS DE MARIA

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