Valores de quem tem um coração peregrino

Como são felizes os que em ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração! Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; as chuvas de outono também o enchem  de cisternas. Prosseguem o caminho de força em força, até que cada um se apresente a Deus em Sião – Salmo 84.5 a 7

 

INTRODUÇÃO

Valores, o que são valores?

Qual é o conceito de valores?

Valores são o conjunto de características de uma determinada pessoa ou organização que determinam a forma como estas se comportam e interagem com outros indivíduos e com o meio ambiente. Existem diversos tipos de valores: estéticos, religiosos, éticos, profissionais, familiares etc.

 

Valores pessoais “são os princípios que irão orientar, guiar e moldar o comportamento de uma pessoa”.

Exemplos de valores:

  • Família
  • Amizades
  • Trabalho
  • Generosidade
  • Lazer
  • Saúde
  • Vida Financeira Equilibrada
  • Paz

Qual é a utilidade dos valores?

A elaboração de uma lista de valores pode funcionar como:

  1. Uma guia para tomada de decisões – nesse sentido a elaboração de uma lista de valores já será em si uma decisão previamente tomada.
  2. Uma prevenção contra a impulsividade
  3. Uma forma de afastamento de vícios por meio de uma aproximação de uma virtude oposta

Dois tipos de valores:

  1. Supramundanos

São aqueles valores que dizem respeito à nossa conexão com Deus e as coisas relacionadas a Deus

  1. Intramundanos

São aqueles valores que dizem respeito à forma como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor

VALORES SUPRAMUNDANOS

  1. TEMOR A DEUS

O salmista afirma que aquele homem que teme ao Senhor é bem-aventurado:

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! – Salmo 128.1

 

O temor a Deus, ou temor de Deus é um valor basilar, ou seja, dele depende todos os demais valores supramundanos. Sem temor a Deus não há como nos relacionarmos bem com Deus.

O sábio afirmou:

Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem – Eclesiastes 12.13

 

Há muitos benefícios em temer a Deus:

O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina – Pv 1.7

 

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento – Pv 9.10

 

O temor do Senhor prolonga a vida, mas a vida do ímpio é abreviada – Pv 10.27

 

O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte – Pv 14.27

 

O temor do Senhor conduz à vida: Quem o teme pode descansar em paz, livre de problemas – Pv 19.23

 

A recompensa da humildade e do temor do Senhor são a riqueza, a honra e a vida – Pv 22.4

 

Como é feliz o homem constante no temor do Senhor! Mas quem endurece o coração cairá na desgraça – Pv 28.14

 

Joy Dawson, em seu livro Intimidade com Deus no Temor do Senhor, afirma:

Primeiramente, precisamos compreender bem o que é o temor do Senhor e o que não é. Muitas pessoas, ao ouvir essa expressão, têm a tendência de pensar que significa ter medo de Deus. Mas o fato é que não é para termos medo de Deus, pois ele nos criou para o seu deleite, para que viéssemos a gozar de íntima comunhão com ele.  Ele próprio define o temor em sua Palavra. Lemos em Provérbios 8.13: “O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal”. Isso significa ter permanentemente para com o pecado a mesma atitude que Deus tem. Quanto mais estudamos na Bíblia a santidade divina, mais percebemos a extensão do ódio de Deus ao pecado. (Dawson, 2015, p. 12 e 13)

 

Eugene Peterson, em seu livro A Maldição do Cristo Genérico nos fornece uma definição excelente do sintagma “Temor-do-Senhor”:

A expressão que a Bíblia escolhe para articular essa ideia é temor-do-Senhor”. Trata-se de um termo comum nas Escrituras para o modo responsivo e apropriado de vivermos diante de Deus como ele é, Pai, Filho e Espírito Santo. Nenhum dos sinônimos em nossa língua (respeito, reverência, veneração) parecem adequados. Falta-lhes o impacto da expressão “temor-do-Senhor”. […] Apesar de sua proeminência na Bíblia, essa expressão não é de uso amplo entre vários cristãos. A palavra “temor’ parece fazer-nos começar com o pé esquerdo. Os gramáticos nos ajudam a resgatar o sentido bíblico chamando a atenção para o fato de que o temor-do-Senhor é uma “expressão justaposta”, um sintagma. As três palavras em nossa língua (duas no hebraico) são ligadas de modo a formar uma só palavra. Sua função como palavra única não pode ser entendida separando os termos constituintes e somando os significados de cada uma dessa partes. O temor-do-Senhor não é uma combinação de temor+do+Senhor; é uma coisa só. Assim, não devemos procurar no dicionário o significado de temor e depois de Deus, combinando em seguida as duas acepções: “temor”, sentimento de apreensão, depois “Deus”, ser divino digno de adoração, não é temor-do-Senhor. Esse recurso analítico só serve para nos desviar do rumo certo. Mas, quando deixamos que o contexto bíblico forneça as condições para entendermos essa expressão, descobrimos que seu significado mais próximo é um modo de vida no qual sentimentos e comportamentos humanos são amalgamados com o ser e a revelação de Deus. O termo […] designa um modo de vida que não pode ser analisado em duas partes, assim como um bebê não pode ser dividido entre o que vem do espermatozoide e o que vem do óvulo. “temor-do-Senhor” é uma expressão nova em nosso vocabulário; caracteriza um modo de vida apropriado para nossa criação, salvação e bênção por Deus. (Peterson, 2007, p. 55 a 58)

Uma pessoa que teme a Deus cogita de Deus em tudo que pensa, fala, deseja e realiza.

  1. PIEDADE

O salmista era uma pessoa piedosa. Uma pessoa piedosa reconhece que depende de Deus e que deve dar a Deus o culto que lhe é devido. A piedade é o temor do Senhor colocado em prática.

O justo צַדִּיק (tsaddyq) do Antigo Testamento é um homem piedoso. Os ímpios רָשָׁע ou רְשָׁעִים (resha/reshayim) são aqueles desprovidos de piedade. A piedade, nesse caso, é a dimensão cúltica da vida.

O termo grego ἀσεβής (asebēs) que traduz o termo ímpio é composto do alpha privativo ἀ + σεβής cujo sentido é piedade. Daí o termo significar alguém que não tem “temor reverencial para com Deus”, alguém desprovido de piedade.

Ser ímpio pressupõe não ser uma pessoa piedosa, ou seja, não dar a Deus o culto que lhe é devido.

  1. O salmista se alegra com os que vão à casa do Senhor adorá-lo:

Alegrei-me com os que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” Nossos pés já se encontram dentro de suas portas, ó Jerusalém! Jerusalém está construída como cidade firmemente estabelecida. Para lá sobem as tribos do Senhor, para dar graças ao Senhor, conforme o mandamento dado a Israel – Salmo 122.1 a 4

 

  1. O salmista implora pelas misericórdias do Senhor:

Para ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus. Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor, e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nossos olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que ele tenha misericórdia de nós. Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Já estamos cansados de tanto desprezo – Salmo 123.1 a 3

 

  1. O salmista bendiz ao nome do Senhor:

Bendito seja o Senhor, que não nos entregou para sermos dilacerados pelos dentes deles. Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos. O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra – Salmo 124.6 a 8

 

  1. O salmista se alegra com a intervenção de Deus em favor de seu povo:

Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”. Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres – Salmo 126.1 a 3

 

A piedade é proveitosa:

O exercício físico é de pouco proveito; a piedade, porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura – 1 Timóteo 4.8

 

O salmista demonstra ter fé (confiança) em Deus e sua providência. O salmista não crê em destino ou acaso.

  1. Ele confia no Senhor:

Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre. Como os montes cercam Jerusalém, assim o Senhor protege o seu povo, desde agora e para sempre. O cetro dos ímpios não prevalecerá sobre a terra dada aos justos, se assim fosse, até os justos praticariam a injustiça. Senhor, trata com bondade aos que fazem o bem, aos que têm coração íntegro. Mas aos que se desviam por caminhos tortuosos, o Senhor dará o castigo dos malfeitores. Haja paz em Israel! – Salmo 125.a a 5

 

  1. Ele crê na intervenção de Deus em seu favor:

Se o Senhor não estivesse do nosso lado; que Israel o repita: Se o Senhor não estivesse do nosso lado quando os inimigos nos atacaram, eles já nos teriam engolido vivos, quando se enfureceram contra nós; as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado; sim, as águas violentas nos teriam afogado! Bendito seja o Senhor, que não nos entregou para sermos dilacerados pelos dentes deles. Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos. O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra – Salmo 124.1 a 8

 

 

  1. Ele crê na constante proteção e cuidado de Deus com sua vida:

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta, sim, o protetor de Israel não dormirá, ele está sempre alerta! O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita. De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre – Salmo 121.1 a 8

 

  1. Ele crê que é Deus quem o faz prosperar:

Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama – Salmo 127.1 e 2

 

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor! – Salmo 128.1 a 4

 

  1. Ele confia em Deus tal como uma criança recém-amamentada confia em sua mãe:

De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança – Salmo 131.2

 

Eugene Peterson resume magistralmente:

A fé cristã não é dependência neurótica e sim confiança como de criança. Não temos um Deus que para sempre e sempre satisfaz nossos caprichos, e sim um Deus a quem confiamos nossos destinos. O cristão não é um infante ingênuo e inocente que não tem nenhuma identidade à parte de um sentimento de ser consolado e protegido e bem cuidado; ele é uma pessoa que descobriu uma identidade dada por Deus que será desfrutada melhor e mais plenamente com uma confiança voluntária em Deus. Não nos seguramos em Deus desesperadamente pelo medo e pânico da insegurança; nos chegamos a ele livremente em fé e amor.

 

[…]

 

O cristão é não como um bebê chorando alto à procura do peito de sua mãe, mas como uma criança desmamada que descansa bem quietinha ao lado da mãe, feliz em estar com ela… Nenhum desejo se entrepõe entre ele e seu Deus; pois ele está certo de que Deus sabe do que ele precisa antes que ele lhe peça. E assim como a criança aos poucos se desfaz do hábito de ver sua mãe apenas como um meio de satisfazer seus próprios desejos e aprende a amá-la por ela mesma, assim o adorador depois de uma luta chegou a uma atitude de mente na qual ele deseja Deus por ele mesmo e não como um meio de satisfazer seus próprios desejos. O centro de gravidade de sua vida mudou. Agora ele não mais descansa em si, mas sim em Deus.

 

 

 

 

 

VALORES INTRAMUNDANOS

  1. HUMILDADE

Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim. De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança. Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, desde agora e para sempre! – Salmo 131.1 a 3

 

A humildade é outro lado da confiança em Deus, enquanto o orgulho é o outro lado da confiança em si – John Baillie

O conceito bíblico de orgulho é inchaço:

Eis que a sua alma se incha, não é reta nele; mas o justo, pela sua fé, viverá – Habacuque 2.4 (ARC)

 

O termo hebraico עָפַל (ʻâphal) procede de uma raiz primitiva que infere inchaço, inchar; figurativamente, estar exultante: – ser elevado, presumir (Strong, Verbete 6075).

Paulo nos ajuda a compreender o real conceito bíblico de humildade:

Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu – Romanos 12.3

 

Os peregrinos têm uma visão moderada a respeito de si mesmos.  Eugene Peterson comenta:

As duas coisas que o Salmo 131 corta fora são a ambição indomável e a dependência infantil, o que poderíamos chamar de complexo de grandeza e recusa de deixar a chupeta. Ambas as tendências podem facilmente parecer virtudes, especialmente para aqueles que não estão familiarizados com os modos cristãos. Se não tivermos cuidado, estaremos encorajando as coisas exatas que nos irão arruinar. Estamos em necessidade especial e constante de uma correção perita. Precisamos de poda. Jesus disse: “[Deus] corta fora todo ramo em mim que não produz uvas. E todo ramo que produz uvas ele poda para que produza ainda mais” (Jo 15.2).

 

Sobre o pecado do orgulho Peterson nos adverte:

É difícil reconhecer o orgulho como pecado quando é exaltado, de todos os lados, como uma virtude, estimulado como proveitoso e recompensado como sendo um feito, uma realização. O que é descrito na Bíblia como o pecado básico, o pecado de assumir as coisas em suas próprias mãos, ser seu próprio deus, agarrar o que está lá enquanto se pode, agora é descrito como sabedoria básica: melhore-se por qualquer meio que possa; progrida a qualquer preço, cuide de mim primeiro. Por um tempo limitado funciona. Mas no final o diabo tem o que lhe é devido. Existe a maldição, a condenação.

 

Em seu livro Humildade, a Beleza da Santidade, Andrew Murray, na parte final faz uma oração por humildade:

Que toda a Tua grande bondade Tu a faças conhecida a mim, e tome de meu coração todo tipo, grau e forma de orgulho, quer vindo de espíritos malignos ou de minha própria natureza corrupta; e que Tu despertes em mim uma profunda verdade e profundeza daquela humildade que me faça suscetível à Tua luz e Santo Espírito.

 

  1. COMUNHÃO

Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união! É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes. É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre – Salmo 133.1 a 3

 

O salmista ama estar em comunhão com seus irmãos cujos corações são igualmente peregrinos. A comunhão fraterna é uma dádiva de Deus. Ele identifica a comunhão como aquele “lugar” onde Deus “concede a bênção da vida para sempre”.

A comunhão é singular:

  1. Ela é boa
  2. Ela é agradável
  3. Ela é preciosa
  4. Ela é uma bênção
  5. Ela é vital e revitalizadora

Os cristãos devem reconhecer a importância da comunhão cristã e devem se empenhar em cultivar e aprofundar a comunhão fraterna por meio de ações convergentes.

Os cristãos primitivos amavam estar sempre juntos:

Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos – Atos 2.41 a 47

 

Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham – Atos 4.32

 

O substantivo feminino grego koinonia indica uma associação, uma participação conjunta. Está em comunhão aquelas pessoas que partilham algo em comum. Quando um grupo de pessoas possuem um mesmo objetivo, um mesmo sentimento ou devoção podemos afirmar que eles estão em comunhão uns com os outros.

O verbo indica o ato de tornar-se participante de um empreendimento comum, associar-se a algo ou alguém, tornar-se companheiro de alguém ou de um grupo de pessoas. A respeito dos que estão em comunhão pode-se dizer que partilham algo, estão associados, andam juntos e são cúmplices, no sentido que haver entre eles certa cumplicidade. Eles estão vinculados entre si em função daquilo que os une. Há no verbo o sentido de ligar-se a algo ou alguém de forma a ser essa uma norma de vida e convivência mútua. A palavra indica o afastamento dos interesses particulares e a união com outras pessoas para o cumprimento de alvos comuns.

É por meio da comunhão que o mundo pode ver que somos um em Cristo:

Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo – João 17.20-24

Irmãos e Irmãs

Por Asaph Borba

Eu não sei o que seria de minha vida, sem irmãos e irmãs.

Sem amigos que como o amor de Jesus, mudaram meu coração.

Quando sem destino algum, eu caminhava para o fim.

Eles estenderam suas mãos pra mim!

 

Eu não sei o que seria de minha vida, sem irmãos e irmãs.

Sem a igreja de Cristo, eque está presente e viva ao meu redor!

 

A comunhão, a oração, que nos unem ao Senhor.

Trazem-me alegria e mais vontade de viver!

 

E se a cada dia neste amor, nos unirmos mais e mais.

Nós podemos nosso mundo transformar!

E que muitos como eu, assim possam cantar:

“eu não sei o que seria sem irmãos e irmãs!”

 

  • IDENTIDADE SACERDOTAL

Venham! Bendigam ao Senhor todos vocês, servos do Senhor, vocês, que servem de noite na casa do Senhor. Levantem as mãos na direção do santuário e bendigam ao Senhor! De Sião os abençoe o Senhor, que fez os céus e a terra! – Salmo 134.1 a 3

 

O salmo 134 é um cântico de despedida. O peregrino retornará à sua tribo e se despede dos que ficam – levitas, sacerdotes e sumo sacerdote. São eles os que “servem de noite na casa do Senhor”.

No Antigo Testamento havia uma casta especial, uma tribo privilegiada – os levitas. Eles tinham a responsabilidade e privilégio de servir ao Senhor no santuário. A nenhuma outra tribo foi dado esse privilégio.

Na nova aliança as coisas mudaram. Jesus, o sumo sacerdote de nossa confissão – Hebreus 3.1 – e dos bens já realizados – Hebreus 9.11 – nos constituiu reino e sacerdotes para Deus o Pai:

João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra. Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue, e nos constituiu reino e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai. A ele sejam glória e poder para todo o sempre! Amém – Apocalipse 1.4 a 6

 

Ao recebê-lo, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos; e eles cantavam um cântico novo: “Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. Tu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra” – Apocalipse 5.8 a 10

 

Nós não éramos povo de Deus, mas agora somos reino de sacerdotes:

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam – 1 Pedro 2.9 e 10

 

No Antigo Testamento, depois do encerramento das festas, o povo se despedia dos levitas e retornavam às suas casas na esperança de retornar a Jerusalém no ano seguinte. As festas dependiam dos levitas.

Na nova aliança, todos são sacerdotes. Jesus é o sumo sacerdote e nós somos sacerdotes perante Deus podendo chegar-se a ele por meio de Jesus Cristo e interceder uns pelos outros.

CONCLUSÃO:

Os peregrinos de coração possuem valores. Seus valores são diferentes dos valores daqueles que não são peregrinos de coração.

Os valores dos peregrinos de coração são:

  1. Temor a Deus
  2. Piedade
  3. Humildade
  4. Comunhão
  5. Identidade Sacerdotal

 

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