Peregrinos de coração

אַשְׁרֵי אָדָם עוֹז־לוֹ בָךְ מְסִלּוֹת בִּלְבָבָם ׃

`ashere ādām ʽōwz lō bāk mesillōt bilbābām

Bem-aventurado o homem cuja força está nos caminhos de seu coração

Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados – Salmo 84.5 (ARA)

Como são felizes os que em ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração! – Salmo 84.5 (NVI)

INTRODUÇÃO

A autoria desse salmo é atribuída aos filhos de Corá. Os coraítas são filhos de um levita por nome Corá. Corá estava envolvido na rebelião contra Moisés e Arão no deserto – Nm 16. Nesse incidente, os filhos do levita Corá se uniram aos filhos de Datã e Abirão, que eram rubenitas, numa demanda por poder. Eles questionaram a autoridade de Moisés e Arão – verso 2. Deus defendeu seus escolhidos e mostrou que eles eram inocentes das acusações feitas contra eles. O resultado foi funesto. Depois de confirmar a autoridade de Moisés e Arão Deus abriu a terra sob os pés dos rebeldes e eles foram tragados vivos à sepultura – versos 28 a 34. Os escolhidos pelos rebeldes para apresentarem incenso diante de Deus foram mortos porque “veio fogo da parte do Senhor e consumiu duzentos e cinquenta homens” – verso 35. Além deles catorze mil e setecentos homens morreram por causa de uma praga que começou entre o povo – verso 49.

A Bíblia não nos informa, mas há indícios de que alguns dos filhos de Corá sobreviveram. O que sabemos é que Davi concedeu ao clã de Corá uma posição de destaque entre os levitas cantores e dirigentes do culto no templo – 1Cr 26.1 – e Josafá contou com o apoio deles durante uma situação de grande perigo e livramento sobrenatural – 2Cr 20.19.

A data da composição do salmo é incerta, mas há indícios de que tenha sido escrito antes da destruição do templo em 586 a.C. A menção ao ungido do Senhor no verso 9 parece indicar que havia um descendente de Davi no trono em Jerusalém por ocasião da composição do salmo. O salmo foi composto por alguém que vivia, ou viveu no ambiente do templo. Uma pessoa que respirava o ambiente de adoração a Deus e encontrava nisto o seu motivo para viver.

O verso 5 fala da felicidade daqueles cujo cuja força está em Deus e cujo coração é peregrino.

Um coração peregrino é um coração consciente de que não está no seu lugar, ele está em trânsito, a caminho de seu destino eterno.

Ashere – Felicidade, bem-aventurança; frequentemente usado como interjeição; abençoados são. O sentido básico do substantivo hebraico ashere é “ser reto”, e no sentido mais amplo “ser equilibrado”, “correto”, “feliz”. O sentido figurado é estendido para “progredir”, “ser honesto”, “prosperar”, “ser abençoado”, “bem-aventurado”, com vínculos semânticos com os verbos “ir”, “guiar”, “liderar” e “aliviar”. O verbo traz consigo a ideia de “andar direito” – Pv 23.19 – “prosseguir”, “avançar”, “ser chamado de bem-aventurado” – Sl 72.17 – e ainda “ser feito feliz” – Pv 3.18. No modo figurado significa “seguir um caminho correto” – Pv 9.6. O modo intensivo significa “andar direito”, “andar sem erros” ou ainda “prosperar”.

Ashere é o substantivo masculino hebraico usado para designar o estado de bem-aventurança de uma pessoa. Este substantivo é sempre usado para referir-se a seres humanos, nunca para se referir ao ser divino. Seu uso é quase totalmente restrito aos textos poéticos. Ele está associado à sabedoria – Pv 3.13; 8.32 e 34. Ele descreve uma pessoa ou nação que tem um relacionamento com Deus – Dt 33.29; Jó 5.17; Sl 33.12; 146.5. Nalguns lugares não possui contexto religioso – 1Rs 10.8; Pv 14.21; Ec 10.17 e Sl 137.8 e 9. (Strong, Verbete 835).

A LXX traz o substantivo grego makarios como o equivalente grego para ashere. Esse estado de bem-aventurança depende do favor do Senhor – Sl 84.4, 5, 11 e 12; é uma recompensa de confiar no Senhor – Sl 2.12; 34.8 e Is 30.18. Inclui aí a obtenção do perdão divino – Sl 32.1 e 2.

ādām – Substantivo masculino – Homem, humanidade; homem, ser humano; homem, humanidade (sentido muito mais frequente no AT)

ʽōz – substantivo masculino – Poder, força; material ou física; pessoal ou social ou política.

– Preposição – cuja

bāk – Preposição – no

mesillōt – Substantivo feminino plural – caminhos, veredas elevadas, um caminho público. Figuradamente aplicado ao curso da vida – Pv 16.17

bilbābām – O termo se refere ao coração humano no sentido figurado. O homem interior, mente, vontade, coração, alma, entendimento; a parte interior, meio; a alma, coração (do homem); a mente, conhecimento, pensamento, reflexão, memória; a inclinação, resolução, determinação (da vontade); a consciência; o coração como sede do caráter moral; como sede dos apetites; como sede das emoções e das paixões; como sede da coragem.

A ideia do coração peregrino (presente na Nova Versão Internacional) interpreta o verso em seu contexto. O salmista tem saudades das festas anuais quando os peregrinos vinham a Jerusalém para adorar e celebrar ao Senhor. Esses peregrinos de coração saem de suas casas e se dirigem a Jerusalém todos os anos numa intenção pedagógica de incutir neles a verdade a respeito de suas identidades.

TEORIA DA IDENTIDADE E CORRESPONDÊNCIA:

Aquilo que é deve ser reconhecido pela sua conformidade a outros cuja identidade é similar.

Aristóteles:

O primeiro é princípio da identidade, a afirmação de que uma coisa é sempre igual a si mesma, A = A. Assim, A equivalerá sempre a A, não podendo ser de outra forma. Aristóteles deve essa regra à contribuição do fixismo de Parmênides.

Tomás de Aquino:

Há uma concordância de Tomás de Aquino à tese de Aristóteles no que diz respeito à teoria da correspondência. Só é verdade aquilo que faz com que o sujeito e predicado sejam perfeitamente harmonizados. Se determinados predicados podem ser percebidos num determinado sujeito, teremos aí a definição de sua identidade.

Por exemplo:

Se determinado animal tem penas, bico, garras – há uma grande probabilidade de que estejamos diante de uma ave.

Se determinado animal possui pelos, rabo, crina, quatro patas, come gramas e relincha – há uma grande probabilidade de que estejamos diante de um cavalo.

Bem, é relativamente fácil identificar os animais por sua identificação por semelhança a outros da mesma espécie. Há uma correspondência entre sujeito e predicado.

Mas, e quanto à identidade dos salvos?

Como proceder para saber se estamos salvos ou não?

Primeiramente é bom salientar que:

Quem está salvo, sabe que está salvo.

O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus – Romanos 8.16 (NVI)

 

Outra consideração:

Você tem um coração peregrino?

O que caracteriza um coração peregrino?

Uma Longa Obediência numa só Direção – Eugene Peterson

De fato, os quinze “Cânticos de Subida” [ao Templo, nas Festas] (Sl 120-134) que aqui fornecem o texto para o desenvolvimento do “discipulado numa sociedade instantânea” forneceram o impulso para embarcar na nova tradução. Tudo que pensei a princípio foi traduzir os Salmos para a linguagem idiomática norte-americana que eu ouvia as pessoas usando nas ruas, nos shoppings e nos jogos de futebol. Eu sabia que seguir Jesus nunca poderia se tornar uma “longa obediência” sem uma vida de oração cada vez mais profunda, e que os Salmos sempre foram o principal meio pelo qual os cristãos aprendiam a orar tudo o que viviam e viver tudo o que oravam, numa continuidade de tempo.

 

Peterson começa seu livro fazendo uma citação bastante “improvável”:

A coisa essencial “no céu e na terra” é . . . “que haja uma longa obediência na mesma direção; assim resulta, e sempre resultou no final, algo que já fez a vida valer a pena”. Friedrich Nietzsche – Além do Bem e do Mal

 

Nietzsche seria a última pessoa na terra a prefaciar a obra de Eugene Peterson. Peterson escreveu aos peregrinos:

 

Peregrino (parepidēmos) nos diz que somos pessoas que passam a vida indo para algum lugar, indo para Deus, e cujo meio para chegar lá é o caminho, Jesus Cristo. Reconhecemos que “este mundo não é meu lar” e saímos rumo “à casa do Pai”. Abraão, que “saiu” é nosso arquétipo, nosso modelo. Jesus, em resposta à pergunta de Tomé “Senhor, não sabemos para onde vais. Como o Senhor espera que conheçamos o caminho?” fornece o roteiro: “Eu sou a Estrada, também a Verdade, também a Vida. Ninguém chega ao Pai à parte de mim” (Jo 14.5 e 6 – Bíblia A Mensagem). A carta aos Hebreus define nosso programa: “Você vê o que isso significa — todos esses pioneiros que abriram a estrada, todos esses veteranos encorajando-nos a seguir em frente com seus aplausos? Significa que é melhor seguir em frente. Despojar-nos, começar a correr — e nunca desistir! Nada de gordura espiritual extra, nada de pecados parasíticos. Conservar os olhos em Jesus, que tanto começou como terminou essa corrida na qual estamos” (Hb 12.1 e 2 – Bíblia A Mensagem).

 

Sobre os salmos 120 a 134 Eugene afirmou:

O velho hinário é chamado, em hebraico, shiray hammaloth — Cânticos de Subida. Os hinos são os salmos de números 120 a 134 do livro dos Salmos. Esses quinze salmos provavelmente eram cantados, talvez em sequência, pelos peregrinos hebreus enquanto subiam para Jerusalém às grandes festas de culto religioso. Topograficamente Jerusalém era a cidade mais alta da Palestina, e por isso todos os que viajavam para lá passavam muito do seu tempo subindo. 5 Mas a ascensão não era só literal, era também uma metáfora: a viagem a Jerusalém dramatizava uma vida vivida para cima em direção a Deus, uma existência que avançava de um nível a outro no amadurecimento que se desenvolvia — o que Paulo descreveu como sendo “o alvo, onde Deus está nos acenando para seguirmos adiante — para Jesus” (Fp 3.14). Três vezes por ano os hebreus fiéis faziam essa viagem (Êx 23.14-17; 34.22-24). Os hebreus foram um povo cuja salvação foi realizada no êxodo, cuja identidade foi definida no Sinai e cuja preservação foi assegurada nos quarenta anos de caminhadas no deserto. Como povo dessa natureza, eles subiam a estrada para Jerusalém regularmente para cultuar. Refrescavam suas memórias a respeito das operações salvíficas de Deus na Festa da Páscoa no começo do verão; respondiam como comunidade abençoada ao melhor que Deus tinha para eles na Festa de Tabernáculos no outono. Eles eram um povo redimido, um povo comandado, um povo abençoado. Essas realidades fundamentais eram pregadas e ensinadas e comemoradas nas festas anuais. Entre uma festa e outra o povo vivia essas realidades no discipulado diário até que chegasse o tempo de subir à cidade serrana novamente, como peregrinos para renovar a aliança. Esse retrato dos hebreus cantando esses quinze salmos quando deixavam sua rotina de discipulado e se encaminhavam dos povoados e vilas, das fazendas e cidades, como peregrinos subindo a Jerusalém já se fixou na imaginação devocional cristã. É como nosso melhor pano de fundo para entender a vida como uma jornada de fé.

 

  1. UM SENSO DE INADEQUAÇÃO – SALMO 120

Eu clamo pelo Senhor na minha angústia, e ele me responde. Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua traiçoeira! O que ele lhe dará? Como lhe retribuirá, ó língua enganadora? Ele a castigará com flechas afiadas de guerreiro, com brasas incandescentes de sândalo. Ai de mim que vivo como estrangeiro em Meseque, que habito entre as tendas de Quedar! Tenho vivido tempo demais entre os que odeiam a paz. Sou um homem de paz; mas, ainda que eu fale de paz, eles só falam de guerra.

 

O salmista expressa sua angústia por viver entre mentirosos e amantes da beligerância.  O salmista menciona Meseque e Quedar. Peterson esclarece que,

O primeiro passo em direção a Deus é um passo de distanciamento das mentiras do mundo. É uma renúncia às mentiras que nos foram contadas sobre nós mesmos e nossos próximos e nosso universo. “Estou fadado a viver em Meseque, amaldiçoado com um lar em Quedar. Minha vida inteira vivida acampando entre vizinhos briguentos”. Meseque e Quedar são nomes de lugares: Meseque uma tribo longínqua, a milhares de quilômetros da Palestina no sul da Rússia; Quedar uma tribo beduína conhecida como não civilizada e rude, ao longo das fronteiras de Israel. Representam os estranhos e hostis. Parafraseando, a exclamação é: “Eu vivo no meio de valentões e selvagens; este mundo não é meu lar, e eu quero sair daqui”.

 

Aquele que foi salvo se sente deslocado num mundo de mentiras e ausência de paz. Peterson resume a angústia do peregrino:

A conscientização cristã começa com o reconhecimento dolorido de que aquilo que nós presumimos ser a verdade é realmente uma mentira. A oração é imediata: “Livra-me dos mentirosos, Deus! Sorriem tão docemente, mas mentem a não mais poder”. Salva-me das mentiras dos anunciantes que afirmam saber o que eu preciso e o que desejo, das mentiras dos que oferecem entretenimento, que prometem um caminho barato para a alegria, das mentiras dos políticos que fingem instruir-me sobre o poder e a moralidade, das mentiras dos psicólogos que oferecem moldar meu comportamento e meus princípios morais para que eu viva uma vida longa, com felicidade e sucesso, das mentiras dos beatos que “curam superficialmente as feridas deste povo”, das mentiras dos moralistas que fingem promover-me à posição de capitão do meu destino, das mentiras de pastores que “se livram do mandamento de Deus para você não ser incomodado ao seguiras modas religiosas!” (Mc 7.8). Salva-me da pessoa que me conta sobre a vida e omite Cristo, que é sábia quanto aos caminhos do mundo e ignora o mover do Espírito.

 

  1. UMA PERCEPÇÃO DE ESTAR SOB PROTEÇÃO DIVINA – SALMO 121 E 124

Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta, sim, o protetor de Israel não dormirá, ele está sempre alerta! O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita. De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre – Salmo 121

 

Se o Senhor não estivesse do nosso lado; que Israel o repita: Se o Senhor não estivesse do nosso lado quando os inimigos nos atacaram, eles já nos teriam engolido vivos, quando se enfureceram contra nós; as águas nos teriam arrastado e as torrentes nos teriam afogado; sim, as águas violentas nos teriam afogado! Bendito seja o Senhor, que não nos entregou para sermos dilacerados pelos dentes deles. Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos. O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra – Salmo 124

 

No salmo 121 o salmista demonstra ter consciência de que Deus o protege. No salmo 124 essa consciência se amplia para uma consciência de que Deus protege seu povo.

Por vivermos entre mentirosos e beligerantes, precisamos constantemente da proteção divina.

Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso pode dizer ao Senhor: Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio. Ele o livrará do laço do caçador e do veneno mortal. Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor. Você não temerá o pavor da noite, nem a flecha que voa de dia, nem a peste que se move sorrateira nas trevas, nem a praga que devasta ao meio-dia. Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita, mas nada o atingirá. Você simplesmente olhará, e verá o castigo dos ímpios. Se você fizer do Altíssimo o seu refúgio, nenhum mal o atingirá, desgraça alguma chegará à sua tenda – Salmo 91.1 a 10

 

Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim – Salmo 139.5

 

Sobre o salmo 121 Peterson afirma:

O Salmo 121 é uma voz mansa que nos diz gentil e bondosamente que talvez estejamos errados quanto à maneira em que procuramos viver a vida cristã; e então, de modo bem simples, nos mostra a maneira certa. Assim, ele é a continuação necessária do salmo anterior, que nos inicia no caminho cristão. Ele deu nomes aos sentimentos confusos e desnorteados de alienação e desconfiança que nos tornaram insatisfeitos e inquietos num caminho de vida que ignora ou rejeita Deus e que nos impulsionaram ao arrependimento que renuncia ao “diabo e a todas as obras dele” e afirma o caminho da fé em Jesus Cristo. Mas nem bem nos lançamos, com expectativa e entusiasmo, no rio da fé cristã, nosso nariz se enche de água e subimos à tona tossindo e engasgados. Nem bem apressamos o passo confiantemente na estrada da fé, tropeçamos num obstáculo e caímos na superfície dura, machucando nossos joelhos e cotovelos. Para muitos, a primeira grande surpresa da vida cristã é na forma das dificuldades que enfrentamos. Parece que não é bem o que tínhamos previsto: esperávamos algo bem diferente; tínhamos a mente colocada no Éden ou na Nova Jerusalém. Despertados rudemente, olhamos em redor buscando socorro, buscando no horizonte alguém que nos auxilie: “Elevo os olhos para os montes; será que minha força vem dos montes?” O Salmo 121 é o vizinho que se aproxima e diz que nós começamos errado, procuramos ajuda no lugar errado. O Salmo 121 é dirigido àqueles de nós que, “desconsiderando Deus, procuram numa distância tudo em volta e fazem longos e tortuosos rodeios em busca de corretivos para seus problemas”.

 

Deus é a fonte de nossa segurança durante nossa curta peregrinação nesse mundo hostil.

Três vezes o Salmo 121 refere-se a Deus pelo nome pessoal Yahweh, traduzido como DEUS. Oito vezes ele é descrito como o guardião, ou aquele que guarda. Ele não é um executivo impessoal dando ordens lá de cima; ele e uma ajuda presente a cada passo do caminho que viajamos. Você acha que o modo de contar a história da jornada cristã é descrever seus problemas e tribulações? Não é. É dizer o nome e descrever o Deus que nos preserva, acompanha e governa. […] Essa é a promessa do salmo: “Deus o guardará de todo mal”. Não é o demônio na pedra solta, não é o ataque feroz do deus do sol, não é a influência da deusa da lua — nada disso pode separar você do chamado e do propósito de Deus. Desde o tempo do seu arrependimento que o tirou de Quedar e Meseque até o tempo de sua glorificação com os santos no céu, você está seguro: “DEUS O guarda de todo mal”. Nenhuma das coisas que lhe acontecem, nenhuma das dificuldades que você encontra tem algum poder para se colocar entre você e Deus, diluir a graça dele em você, distrair a vontade dele de você (ver Rm 8.28,31 e 32).

 

Sobre o salmo 124 Peterson comenta:

O testemunho é vivo e contagioso. Uma pessoa anuncia o tema, todos se juntam a ele. A ajuda de Deus não é uma experiência particular; é uma realidade corporativa — não é uma exceção que ocorre entre estranhos isolados, mas é a norma entre o povo de Deus. O auxílio de Deus é descrito por meio de duas ilustrações. O povo estava em perigo de ser engolido vivo; e eles corriam o risco de ser afogado por um dilúvio. O primeiro quadro é de um enorme dragão ou monstro marinho. Ninguém jamais viu um dragão, mas todo mundo (especialmente as crianças) sabe que eles existem. Os dragões são projeções de nossos temores, interpretações horríveis de tudo que pode nos machucar. Um dragão é totalmente mau. Um camponês confrontado por um magnífico dragão é completamente excedido. Não há escape: a pele grossa, a boca de fogo, a cauda sinuosa que se move violentamente em chibatas, e o apetite insaciável e lascívia assinalam destruição imediata. O segundo quadro, a enchente, fala de desastre repentino. No Oriente Próximo, cursos de água que causaram erosão no território são todos interconectados por um sistema gravitacional complexo. Uma tempestade repentina enche esses regos de água, eles alimentam uns aos outros, e dentro de poucos minutos uma rápida enchente torrencial é produzida. Durante a estação da chuva, tais catástrofes inesperadas constituem grande perigo para as pessoas que vivem nessas áreas desérticas. Não há como escapar. Em um minuto você está bem, está feliz, e fazendo planos para o futuro; no minuto seguinte o mundo inteiro está desordenado por uma catástrofe. O salmista não é uma pessoa que fala sobre a vida boa, como Deus o preservou de toda dificuldade. Esta pessoa já passou pelo pior — a boca do dragão, a torrente da enchente — e se acha intacto. Ele não foi abandonado e sim ajudado. A força final não está no dragão ou na enchente, e sim em Deus que “não foi embora e nos deixou”.

 

Os povos vizinhos de Israel, criam em seres mitológicos que, num passado imemorável lutaram entre si.

Na teogonia da religião sumeriana estão presentes os deuses Apsu (deus das águas doces) e Tiamat (deusa das águas salgadas e representante do caos e do perigo) irmã e consorte de Apsu. Ambos com formas tiradas da junção de um dragão e serpente. Seus filhos Lahmu e Lahamu são retratados como serpentes. Lahmu e Lahamu dão origem a Anshar (princípio masculino) e Kishar (princípio feminino). Além desses deuses havia também An (deus do céu). An originou Enki (deus da sabedoria). Os deuses, filhos de Apsu e Tiamat, que representavam os diversos aspectos do mundo físico, constantemente promoviam festas e se envolviam em guerras entre si, o que provocou a ira de Apsu que queria dormir. Apsu intentou matar seus filhos. O Enki tomou conhecimento dos planos de Apsu e se antecipou a ele, matando-o. Depois de matar Apsu, o Enki e sua consorte Dankina fizeram morada dentro do corpo de Apsu, que são as águas doces. Nesse ínterim Dankina dá à luz Marduk, (deus do sol e do trovão) filho de Enki. Tiamat ficou enfurecida planejou vingar-se de Enki. Para isso ela deu origem a diversas bestas que pudessem ajudá-la em seus planos. Tiamat mobilizou os Anunaki (deuses inferiores), espécie de guardiões dos deuses, para dar auxílio a ela em sua vingança. Enki apoiado pelos Igigis enfrentou a fúria de Tiamat. Enki formou um conselho para escolher quem deles lutaria contra Tiamat, e todos escolheram Marduk. Marduk aceitou a missão com a condição de, em caso de vitória, tornar-se o deus supremo. Marduk derrotou Tiamat e partiu o corpo da deusa em duas partes, de uma formou a abóbada celeste e da outra a terra. Dos olhos de Tiamat surgiram os rios Tigre e Eufrates. Depois de sua vitória sobre Tiamat Marduk assumiu a posição suprema entre os deuses. Marduk construiu um palácio para os deuses e designa 300 Igigis como guardiões celestiais e 300 Anunnakis para serem guardiões do submundo.

 

A religião dos povos sumerianos era mítica e beligerante. Nesse contexto de ameaças contínuas à sua existência o povo de Deus pode confiar na proteção e no auxílio divino.

Peterson comenta:

Sujeito à nossa crítica mais implacável e penetrante, o Salmo 124, penso eu, finalmente nos convencerá de sua honestidade. Não há nenhuma literatura em todo o inundo que seja mais como na vida real e mais honesta do que Salmos, pois aqui temos religião de verrugas e tudo. Todo pensamento cético, descrente, todo empreendimento decepcionante, toda dor, todo desespero que se pode enfrentar é vivido até o fim e integrado num relacionamento pessoal salvador com Deus — um relacionamento que também tem em si atos de louvor, bênção, paz, segurança, confiança e amor. Boa poesia sobrevive não quando é bonita, bela ou agradável, mas quando é verdade: exata e honesta. Os salmos são grande poesia e têm durado não porque apelam a nossas fantasias e nossos desejos, e sim porque são confirmados na intensidade do viver honesto e perigoso. O Salmo 124 não é um testemunho selecionado, inserido como um comercial em nossa vida para testificar que a vida vai melhor com Deus; não é parte de uma blitz da mídia para nos convencer de que Deus é superior a todos os outros deuses da praça. Não é uma mensagem liberada à imprensa. É uma oração honesta. As pessoas que mais conhecem esse salmo, que testaram-no bem e usaram-no com frequência (isto é, as pessoas de Deus que são viajantes no caminho da fé, cantando-o em todo tipo de clima) nos dizem que ele é acreditável, que ele cabe no que conhecemos da vida vivida em fé.

 

 

  • PRAZER EM ESTAR COM OS QUE SÃO PEREGRINOS DE CORAÇÃO – SALMO 122

Alegrei-me com os que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!”. Nossos pés já se encontram dentro de suas portas, ó Jerusalém! Jerusalém está construída como cidade firmemente estabelecida. Para lá sobem as tribos do Senhor, para dar graças ao Senhor, conforme o mandamento dado a Israel. Lá estão os tribunais de justiça, os tribunais da casa real de Davi. Orem pela paz de Jerusalém: “Vivam em segurança aqueles que te amam! Haja paz dentro dos teus muros e segurança nas tuas cidadelas!” Em favor de meus irmãos e amigos, direi: “Paz seja com você!” Em favor da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o seu bem.

 

Peterson introduz seu comentário dizendo:

O Salmo 122 é o cântico de uma pessoa que decide ir à igreja e prestar culto a Deus. É uma amostra do fenômeno complexo, diverso e mundial de culto que é comum a todos os cristãos. É um excelente exemplo do que acontece quando uma pessoa presta culto.

 

Em seguida Peterson pergunta e responde:

Por que há tanto culto voluntário e fiel da parte dos cristãos? Por que é que nunca achamos uma vida cristã sem que haja, por trás em algum lugar, um ato de culto, nunca encontramos comunidades cristãs sem encontrar também o culto cristão? Por que o culto é o pano de fundo comum de toda existência cristã, e por que é tão fiel e voluntariamente praticado? O salmo destaca três itens: o culto nos dá uma estrutura funcional para a vida; o culto supre nossa necessidade de estar em relacionamento com Deus; o culto centra nossa atenção nas decisões de Deus. O culto dá-nos uma estrutura funcional para a vida. O salmo diz: “Jerusalém, cidade bem-construída, construída como lugar de adoração! A cidade à qual as tribos sobem, todas as tribos de DEUS sobem a cultuar”. Jerusalém, para um hebreu, era o lugar de adoração (só incidentalmente era o centro geográfico do país e a sede política de autoridade). As grandes festas de culto às quais todo mundo ia pelo menos três vezes por ano eram realizadas em Jerusalém. Em Jerusalém tudo o que Deus disse era lembrado e celebrado. Quando você ia a Jerusalém, você encontrava as grandes realidades fundamentais: Deus o criou, Deus o redimiu, Deus providenciou para você. Em Jerusalém você via no ritual e ouvia proclamada na pregação a verdade poderosa que formou a História: que Deus perdoa nossos pecados e possibilita vivermos sem culpa e com propósito. Em Jerusalém todos os fragmentos dispersos da experiência, todos os pedacinhos e partes da verdade, do sentimento e da percepção foram ajuntados num único todo.

 

E finaliza:

No culto, embora cheguemos de lugares diferentes e condições várias, demonstramos estar atrás das mesmas coisas, dizendo as mesmas coisas, fazendo as mesmas coisas. Com todos os nossos diferentes níveis de inteligência e prosperidade, de passado e língua, de rivalidades e ressentimentos, ainda assim no culto reunimo-nos num só todo. Disputas externas e desentendimentos e diferenças perdem a importância ao se demonstrar a unidade interna daquilo que Deus constrói no ato do culto. Quando uma pessoa está confusa e as coisas recusam ajustar-se, às vezes isso anuncia a necessidade de sair do barulho e turbulência, afastar-se da correria só para “encaixar as peças”, ajustar-se à situação. Quando ela consegue fazer isso, está tudo lá, nada sobra, nada está fora de proporção, tudo se ajusta numa estrutura tratável.

 

 

Peterson menciona ainda mais duas razões para o culto:

Outra razão pela qual os cristãos continuam a voltar para cultuar é que isso supre nossa necessidade de estar em relacionamento com Deus. O culto é o lugar onde obedecemos à ordem de louvar a Deus: “Dar graças ao nome de DEUS — é isto que significa ser Israel”. Este mandamento de dar graças passa pelo centro de todo o culto cristão. Um decreto. Uma palavra dizendo-nos o que devemos fazer, e que isso que devemos fazer é louvar. […] Uma terceira razão para continuarmos a tomar parte em atos de culto regulares é que nele nossa atenção está centrada nas decisões de Deus. Nosso salmo descreve o culto como sendo o lugar onde “tronos para justo juízo estão colocados… famosos tronos de Davi”. A palavra bíblica juízo significa “a palavra decisiva pela qual Deus endireita as coisas e as põe certas”. Tronos de juízo são os lugares em que essa palavra é anunciada. O juízo não é só uma palavra sobre coisas, descrevendo-as; é uma palavra que faz as coisas, pondo em movimento o amor, aplicando a misericórdia, anulando o mal, ordenando a bondade.

 

Peterson conclui:

Simplesmente não há lugar em que essas coisas possam ser feitas tão bem como no culto. Se ficamos em casa a sós e lemos nossa Bíblia vamos perder muito, porque nossa leitura será inconscientemente condicionada pela nossa cultura, limitada por nossa ignorância, distorcida por preconceitos não notados. No culto somos parte da “grande congregação” em que todos os escritores da Bíblia se dirigem a nós, em que os compositores dos hinos usam a música para expressar verdades que nos tocam não só na mente como também no coração, em que o pregador que acaba de viver seis dias de dúvida, dor, fé e bênção com os adoradores fala a verdade da Escritura na linguagem da experiência atual da congregação toda. Queremos ouvir o que Deus diz e o que ele diz a nós: o culto é o lugar onde a nossa atenção está centrada nessas palavras pessoais e decisivas de Deus.

 

  1. CONSCIÊNCIA DE MISSÃO – SALMO 123

Para ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.  Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor, e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nossos olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que ele tenha misericórdia de nós. Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Já estamos cansados de tanto desprezo. Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos e do desprezo dos arrogantes.

 

Por que estamos aqui ainda?

Estamos aqui para servir. Servir a Deus, uns aos outros e ao mundo.

Peterson afirma:

O Salmo 123 é um exemplo de serviço. Neste aqui, como acontece com tanta frequência nos salmos, não somos instruídos sobre o que devemos fazer; ao contrário, é-nos fornecido um exemplo daquilo que é feito. O salmo não é uma advertência; é um cântico. Num salmo temos a evidência observável daquilo que acontece quando uma pessoa de fé cuida da questão de crer e amar e seguir a Deus. Não temos um livro de regulamentos que definem a ação; o que temos é uma foto instantânea de jogadores no meio do jogo. No Salmo 123 observamos aquele aspecto da vida de discipulado que ocorre sob a forma dos préstimos de um servo.

 

 

 

Sobre o serviço cristão Peterson afirma:

O cristão é uma pessoa que reconhece que nosso problema verdadeiro não está em alcançar a liberdade, mas em aprender a servir sob um mestre melhor. O cristão reconhece que todo relacionamento que exclui Deus torna-se opressivo. Reconhecendo e percebendo isso, desejamos urgentemente viver sob Deus como mestre. Por tais razões todo serviço cristão envolve urgência. Servidão não é um casual ficar parado por aí esperando por ordens. Nunca é sem método; é necessidade urgente: “Fala, Senhor, porque teu servo ouve”. E o evangelho é a boa-nova que as palavras de Deus, ordenando nova vida em nós, já estão em nossos ouvidos; “aqueles que têm ouvidos para ouvir, que ouçam”.

 

Após citar o exemplo de Cristo – João 13 – Peterson conclui:

O povo de Deus é incentivado em toda parte e sempre a trabalhar pela libertação de outros, ajudando-os a ficarem livres de qualquer forma de servidão — religiosa, econômica, cultural, política — que o pecado emprega para mirrar ou frustrar ou restringir suas vidas. As promessas e cumprimentos de liberdade são antifonais em toda a Escritura. O tema glorioso tem documentação extensa na vida do povo de Deus. Mas há também, tristemente, numerosos casos em nossa sociedade de pessoas que, tendo recebido sua liberdade, têm-na desperdiçado, usando-a como “uma desculpa para fazer o que quiserem” (Gl 5.13), terminando numa escravidão pior. Pois liberdade é a liberdade de viver como pessoas com amor por amor a Deus e ao próximo, não uma licença para agarrar e empurrar. É a oportunidade de viver no nosso melhor nível, “um pouco menor do que Deus” (Sl 8.5 rsv), não como animais desregrados. O trabalho de libertação deve ser acompanhado, portanto, de instrução no uso da liberdade como filhos de Deus que “andam pelo Espírito” (Gl 5.25 rsv; “no Espírito” ara). Aqueles que ostentam a retórica da liberdade mas desprezam a sabedoria do serviço não conduzem as pessoas para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus, e sim para uma miséria acanhada e cobiçosa. À medida que o Salmo 123 ora a transição da opressão (“chutados nos dentes por homens ricos complacentes”) à liberdade (esperando pela sua palavra de misericórdia”) a uma nova servidão (“como servos, alertas aos mandados do seu mestre”), ele nos coloca no caminho do aprendizado de como usar nossa liberdade mais apropriadamente, sob o senhorio de um Deus misericordioso. As consequências são todas positivas. Até hoje nunca ouvi um servo cristão queixar-se da opressividade de sua servidão. Ainda não ouvi uma serva cristã rebelar-se contra as restrições de seu serviço. Um servo cristão é a pessoa mais livre da terra.

 

  1. CERTEZA DE CHEGAR AO DESTINO – SALMO 125

Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se pode abalar, mas permanece para sempre. Como os montes cercam Jerusalém, assim o Senhor protege o seu povo, desde agora e para sempre. O cetro dos ímpios não prevalecerá sobre a terra dada aos justos, se assim fosse, até os justos praticariam a injustiça. Senhor, trata com bondade aos que fazem o bem, aos que têm coração íntegro. Mas aos que se desviam por caminhos tortuosos, o Senhor dará o castigo dos malfeitores. Haja paz em Israel!

 

Assim como o peregrino que saia de sua casa e ia a Jerusalém todos os anos, nós também nos encontramos numa caminhada em direção à Nova Jerusalém. Todos os dias damos passos significativos em direção ao nosso destino.

A confiança do peregrino está em Deus, não em si mesmo. O destino será atingido, não porque sejamos bons ou piedosos, e sim, porque Deus nos conduz em triunfo.

Peterson comenta:

A ênfase do Salmo 125 não está na precariedade da vida cristã, e sim na sua solidez. Viver como cristão não é caminhar na corda bamba sem uma rede de segurança, bem alto acima de uma multidão que está segurando o fôlego, muitos ali querendo mais do que tudo sentir o emocionante espetáculo de ver você cair; não, é sentar-se bem seguro numa fortaleza.

 

O peregrino ao chegar próximo a seu destino – Jerusalém – fica admirado com a solidez da cidade. Ela foi construída sobre o monte Sião, firme e inabalável. Mas o segredo de toda essa solidez está em Deus que a edificou ali.

Peterson comenta:

Jerusalém estava entre várias colinas. Era a mais segura das cidades por causa da fortaleza protetora que esses montes lhe davam. Justamente assim é a pessoa de fé circundada pelo Senhor. Melhor do que a muralha de uma cidade, melhor do que uma fortaleza militar é a presença do Deus de paz.

 

Aplicando o salmo 125 à realidade do peregrino Peterson conclui:

Ser um cristão é como assentar-se no meio de Jerusalém, fortificado e seguro. “Primeiro estamos estabelecidos e depois entrincheirados; fixados e depois apoiados por sentinelas: feitos como um monte, e depois protegidos como se fosse por montanhas”. E então a última sentença é “Paz sobre Israel!” Uma tradução coloquial, mas exata no contexto, seria “Relaxe”. Estamos seguros. Deus está no comando. Nem nossas emoções de depressão, nem os fatos de sofrimento, nem as possibilidades de desistência são evidências de que Deus nos tenha abandonado. Nada é mais certo do que o fato que ele executará sua salvação em nossa vida e aperfeiçoará a vontade dele em nossas histórias. Três vezes em seu grande Sermão, Jesus, sabendo como nós facilmente imaginamos o pior, repete a ordem tranquilizante: “Não andeis ansiosos” (ou “Não vos inquieteis” – Mt 6.25,31 e 34). Nossa vida com Deus é uma coisa certa.

 

CONCLUSÃO

Você está salvo?

Quem está salvo sabe que está salvo.

Ele possui um coração peregrino que se caracteriza por:

  • Um senso de inadequação – salmo 120
  • Uma percepção de estar sob proteção divina – salmos 121 e 124
  • Prazer em estar com os que são peregrinos de coração – salmo 122
  • Consciência de missão – salmo 123
  • Certeza de chegar ao destino – salmo 125

 

 

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