O sentido da vida

Como são grandes as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! É impossível entendermos suas decisões e seus caminhos! “Pois quem conhece os pensamentos do Senhor? Quem sabe o suficiente para aconselhá-lo?” “Quem lhe deu primeiro alguma coisa, para que ele precise depois retribuir?” Pois todas as coisas vêm dele, existem por meio dele e são para ele. A ele seja toda a glória para sempre! Amém – Romanos 11.33 a 36

 

INTRODUÇÃO

Há sentido na vida ou para a vida?

Se há, qual é?

Onde encontramos o sentido da vida?

Fontes:

  • As Escrituras
  • Platão – A República
  • Aristóteles – Ética a Nicômaco
  • Agostinho de Hipona – Confissões
  • Viktor Frankl – Em Busca de Sentido
  • Ed René Kivitz – O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia
  • Professor Clóvis de Barros Filho – A Vida que Vale a Pena ser Vivida

 

O TESTEMUNHO DOS ANTIGOS

    1. SÓCRATES – Uma vida digna de ser vivida é uma vida pensada

O professor Clóvis de Barros Filho em seu livro A Vida que Vale a Pena ser Vivida enfatiza que a opção intelectualista de Sócrates e Platão define a vida pensada como a melhor vida a ser vivida.

Não se trata de pensar a respeito de particularidades e sim a respeito da vida em si com suas múltiplas implicações.

  • O que é a vida?
  • Como ele deve e pode ser vivida?
  • O que tira da vida sua força?
  • O que dá força à vida?

A vida contemplativa é vista por Sócrates e Platão como a vida mais excelente. A vida contemplativa se opõe à vida ativa.

A opção intelectualista acredita que saber equivale a fazer, e consequentemente viver. Se alguém afirma saber como viver plenamente, mas não vive plenamente, ele está enganando a si mesmo.

Na Analogia da Caverna Platão defende a vida esclarecida como a vida ideal. Essa vida ideal não pode ser interpretada como uma vida egoísta é uma vida a ser vivida e compartilhada.

  1. ARISTÓTELES – O objetivo da vida é a boa vida

Aristóteles pensa na vida em duas formas:

  1. Vida ativa
  2. Vida contemplativa

Tanto a vida ativa como a vida contemplativa têm como finalidade última a felicidade (Eudaimonia – conceito grego que sintetiza aquilo que seja mais elevado em termos de objetivo de vida).

A vida ativa pode atingir a felicidade por meio de uma vida ajustada, uma vida virtuosa. Uma vida guiada pela reta razão.

Para viver plenamente o agente moral precisa viver virtuosamente. A vida infeliz é a vida viciosa. Até mesmo o filósofo precisa ser virtuoso para ser feliz.

  1. EPICURISTAS – O prazer é o sumo bem

A escola epicurista era adepta do hedonismo ou eudemonismo, que, segundo Abbagnano é o termo que indica uma pessoa que busca indiscriminadamente o prazer. No campo filosófico refere-se à escola que defende que “o prazer é o princípio e o fim da vida feliz” (Diógenes Laércio, X, 129 em: Abbagnano, 2007 p. 497).

Epicuro receitava a seus discípulos quatro remédios em forma de conselhos: 1) Não temer aos deuses e as coisas do além; 2) É absurdo temer a morte; 3) Crer que o prazer, entendido de modo justo, é perfeitamente acessível a todos os agentes morais; e 4) O mal é de curta duração e perfeitamente suportável.

Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, nem bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias da mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que renova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. (Epicuro, 2002, p. 43)

 

  1. ESTÓICOS – A dor é a mestre por excelência

O Estoicismo, segundo Abbagnano (2007, p. 375), em relação às demais escolas helenistas, “compartilhou a afirmação do primado da questão moral sobre as teorias e o conceito de filosofia como vida contemplativa acima das ocupações e preocupações”. O grande ideal estóico, segundo ele, era a ataraxia – o estado de ser e permanecer imperturbável diante dos eventos da vida.

A parte mais significativa e mais viva da filosofia do Pórtico, contudo, não é sua original e audaz física, e sim a Ética: com efeito, foi com sua mensagem Ética que os Estoicos, durante meio milênio, souberam dizer aos homens uma palavra verdadeiramente eficaz, que foi sentida como particularmente iluminadora acerca do sentido da vida. Também para os Estoicos, como para os Epicuristas, o escopo do viver é a obtenção da felicidade. E a felicidade se persegue vivendo “segundo a natureza”.

 

Para os estóicos os agentes morais devem cultivar a fortaleza e a equanimidade, virtudes que demandam absoluta resignação em relação aos eventos da vida. Para eles o maior bem do homem é ser inquebrantável e firme em tudo que tenta conduzi-lo a um tipo de vida regrado pelas paixões e não pela reta razão.

 

VIVENDO SEM SENTIDO

    1. CÉTICOS – Dúvida metódica

O Ceticismo e o Subjetivismo se opõem ao realismo defendido por Sócrates, Platão e Aristóteles.  O ceticismo nega a possibilidade do conhecimento e o subjetivismo restringe o conhecimento ao âmbito subjetivo, retirando do conhecimento sua pretensão à objetividade.

Enquanto o realismo admite a possibilidade de conhecer e a compatibilidade entre o conhecimento e a coisa conhecida, o ceticismo “nega a possibilidade do conhecimento completo ou genuíno de um mundo objetivo, isto é, de um mundo separado do conhecedor ou das suas experiências”. O ceticismo também questiona a “possibilidade do conhecimento do eu” e limita “o conhecimento aos dados sensoriais e suas associações”.

David Hume (1711-1776), filósofo britânico adepto do empirismo e de ceticismo, afirmou que tudo é uma questão de probabilidades. O fato de o sol ter nascido hoje não garante que ele nascerá amanhã. A probabilidade aumenta na medida em que a experiência aponta naquela direção, mas nada deve ser visto como irrevogavelmente certo.  Se nada é certo nesse mundo não há nele um sentido inerente.

Segundo o ceticismo a vida seria como se um viajante embarcasse num navio cujo destino é porto algum, seu destino é vagar pelo oceano sem fim, até que se afunde nalgum lugar desconhecido pelos passageiros.

  1. EVOLUCIONISTAS – Somos fruto do acaso

O evolucionismo não é somente uma teoria científica, mas um conceito mais geral, que foi aplicado a outros domínios: depois dele nada mais é considerado estável. Em última instância, o evolucionismo é um sistema metafísico relativista em que o próprio Deus é considerado como um eterno devir, e não como o ser imutável, “Aquele que é”.

A evolução é uma teoria, um sistema, ou uma hipótese? É muito mais do que isso. É uma condição geral à qual se devem dobrar todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas; uma condição a que devem satisfação doravante para que possam ser tomadas em consideração e para que possam ser certas. (Teilhard de Chardin, O fenômeno humano, p. 245).

 

Mais do que uma teoria científica, o Evolucionismo é um dogma. Julian Huxley, por sua vez, mostra como o dogma da evolução se impõe como o fundamento da moderna religião relativista:

No tipo de pensamento evolucionista, não há lugar para seres sobrenaturais (espirituais) capazes de afetar o curso dos acontecimentos humanos, nem há necessidade deles. A terra não foi criada. Formou-se por evolução. O corpo humano, a mente, a alma, e tudo o que se produziu, incluindo as leis, a moral, as religiões, os deuses, etc., é inteiramente resultado da evolução, mediante a seleção natural. (Cfr. J. Huxley, Evolution after Darwin, p. 246, apud Juan Carlos Ossandón Valdés, En torno al concepto de evolución, artigo na revista Philosophica, de Santiago do Chile, Suplemento doutrinário da revista Jesus Christus, número 50, de Buenos Aires).

 

Em seu livro O Relojoeiro Cego, Richard Dawkins declarou: “A Biologia é o estudo de coisas complexas que dão a aparência de terem sido projetadas para uma finalidade”. Ele explicou que a seleção natural é o relojoeiro cego. Ele está cego porque não vê adiante, não planeja consequências, não tem finalidades em vista. Apesar disso, os resultados vivos da seleção natural nos causam a impressão de terem sido planejados por um relojoeiro.

  1. EXISTENCIALISTAS – A existência precede a essência

Existencialismo, enquanto filosofia da existência, se impôs na Europa no período entre as duas guerras mundiais e expandiu nos dois decênios que sucederam. O Existencialismo, diferindo do Idealismo, do positivismo e do marxismo, voltou sua atenção ao homem finito “lançado ao mundo”, imerso e dilacerado pelas situações absurdas e complexas desse contexto que o limita, molda e define.

O existencialismo, porém, considera o homem como ser finito, “lançado no mundo” e continuamente dilacerado por situações problemáticas ou absurdas. E é precisamente pelo homem, o homem em sua singularidade, que o existencialismo se interessa. O homem do existencialismo não é o objeto que exemplifica uma teoria, um membro de uma classe ou um exemplar de gênero substituível por outro exemplar qualquer do mesmo gênero. Da mesma forma, o homem considerado pela filosofia da existência também não é um simples momento do processo de uma razão oniabrangente ou uma dedução do sistema. A existência é indedutível, e a realidade não se identifica com a racionalidade nem se reduz a ela.

 

A questão envolvendo a relação entre essência e existência é a questão fundamental do Existencialismo. Para o Existencialismo a existência precede a essência. Isso implica em que não há nada anterior ao próprio existir. Não há, segundo o pensamento existencialista uma essência anterior à existência, daí o que existe é uma possibilidade absoluta. Na medida em que existimos vamos construindo nossa própria essência. Nada, absolutamente nada existe antes do próprio existir. É, portanto, a existência que define a essência e não o contrário.

 

 

EM BUSCA DE SENTIDO – VIKTOR FRANKL

Viktor Emil Frankl (1905 – 1997) nasceu na Áustria. Tinha duas irmãs. Os pais eram funcionários públicos e a família tinha uma vida confortável. Enquanto fazia o ensino médio, em meados de 1920, Frankl já se interessava por filosofia e psicologia. Aos dezesseis anos de idade, deu a sua primeira palestra, chamada Sobre o Sentido da Vida, para o partido socialidade da cidade onde morava.

Como graduando em medicina, o jovem Viktor publica o seu primeiro artigo científico na revista International Journal of Individual Psychology, aos dezenove anos de idade. Em meados dos anos 1930, quando Viktor tinha apenas vinte e cinco anos de idade, já começava a ser notado pela comunidade acadêmica e médica como um homem à frente de sua época. Em março de 1938 as tropas nazistas fazem a anexação político-militar da Áustria. A família de Frankl, judia, está ameaçada. Mesmo tendo visto para viver no EUA, o médico decide ficar no país. Salva milhares de judeus da morte recusando-se a recomendar eutanásia aos pacientes com doenças mentais.

O antijudaísmo atinge a família de Viktor Frankl. Sua recém-esposa Tilly Grosser é obrigada a abortar seu primeiro filho pelas tropas nazistas. Os pais e a irmã de Viktor são enviados para campos de concentração diferentes, bem como ele e a esposa. Todos morrem: o pai e a esposa de exaustão, a mãe enviada às câmaras de gás. A irmã sobrevive refugiada na Itália e Viktor passa três anos sob condições terríveis, que depois tornaram-se mensagens de esperança em seu livro Em Busca de Sentido (1946).

Em 1945 acaba a Segunda Guerra e Viktor e libertado. Ele sobreviveu a três anos de trabalho forçado e condições miseráveis e ainda assim conseguiu roubar alguns papéis e escrever as ideias principais de sua obra-prima, escrita em nove dias e lançada já em 1946.

Os anos seguintes foram de total recuperação: Frankl casou-se novamente, teve uma filha, conseguiu o seu título de doutor em filosofia, tornou-se professor da Universidade de Viena, fundador e presidente da Sociedade Austríaca de Medicina Psicoterapêutica. Recebeu também mais de 25 títulos honorários por suas ideias e trajetória e escreveu diversos livros.

Fonte: https://www.ebiografia.com/biografia_viktor_frankl

Viktor Frankl citava constantemente, para si mesmo, uma frase de Nietzsche: “Quem tem por que viver suporta quase todo como.”

Indagado sobre o que é logoterapia, Frankl respondeu:

Leitores da minha breve narração autobiográfica costumam pedir uma explicação mais completa e específica da minha doutrina terapêutica. Para vir ao seu encontro, acrescentei à edição original de “Do Campo de Extermínio ao Existencialismo” um breve resumo sobre logoterapia. […] Isso me lembra aquele médico americano que certa vez apareceu em minha clínica em Viena e perguntou: “Então, doutor, o senhor é psicanalista?”, ao que respondi: “Não bem psicanalista. Digamos um psicoterapeuta.” – Continuou ele: “Qual a escola que o senhor representa?” – Respondi: “É minha própria teoria. Chama-se logoterapia.” – “Poderia o senhor dizer-me, numa única sentença, o que quer dizer logoterapia, ao menos qual a diferença entre psicanálise e logoterapia?” – “Sim”, repliquei “mas, em primeiro lugar, pode o senhor dizer-me com uma só sentença o que pensa ser a essência da psicanálise?” – Eis a sua resposta: “Durante a psicanálise o paciente precisa deitar-se num sofá e contar coisas que às vezes são muito desagradáveis de se contar.” – Ao que retruquei imediatamente com o seguinte improviso: “Bem, na logoterapia o paciente pode ficar sentado normalmente, mas precisa ouvir certas coisas que às vezes são muito desagradáveis de se ouvir.”

 

Frankl acreditava na potencialidade humana em determinar seu próprio destino:

O ser humano não é uma coisa entre outras; coisas se determinam mutuamente, mas o ser humano, em última análise, se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna – dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente – é ele que faz de si mesmo. No campo de concentração, por exemplo, nesse laboratório vivo e campo de testes que ele foi, observamos e testemunhamos alguns dos nossos companheiros se portarem como porcos, ao passo que outros agiram como se fossem santos. A pessoa humana tem dentro de si ambas as potencialidades; qual ser concretizada, depende de decisões e não de condições.

 

O sentido da vida para ele está na própria busca pelo sentido. A vontade de sentido impulsiona o homem.

Na nossa maneira de ver, o ser humano não é alguém em busca da felicidade, mas sim alguém em busca de uma razão para ser feliz, através – e isto é importante – da manifestação concreta do significado potencial inerente e latente numa situação dada. […]

 

Uma vez que cada situação na vida representa um desafio para a pessoa e lhe apresenta um problema para resolver, pode-se, a rigor, inventar a questão pelo sentido da vida. Em última análise, a pessoa não deveria perguntar qual o sentido da sua vida, mas antes deve reconhecer que é ela que está sendo indagada. Em suma, cada pessoa é questionada pela vida; e ela somente pode responder à vida respondendo por sua própria vida; à vida ela somente pode responder sendo responsável. Assim sendo, a logoterapia vê na responsabilidade (responsibleness) a essência propriamente dita da existência humana.

 

 

O SENTIDO ALÉM DA VIDA

    1. O QOELET – A vida sem sentido

O sábio começou sua reflexão sobre a vida debaixo do sol em tom de melancolia:

Estas são as palavras do Mestre, filho de Davi, que reinou em Jerusalém. “Nada faz sentido”, diz o Mestre. “Nada faz o menor sentido.” O que as pessoas ganham com todo o seu árduo trabalho debaixo do sol? Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece a mesma. O sol nasce, o sol se põe e, logo, retorna a seu lugar para nascer outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte; dá voltas e mais voltas, soprando em círculos. Os rios correm para o mar, mas ele nunca se enche; a água retorna aos rios e corre novamente para o mar. Tudo é tão cansativo que não há como descrever. Não importa quanto vemos, nunca ficamos satisfeitos; não importa quanto ouvimos, nunca nos contentamos. A história simplesmente se repete. O que foi feito antes será feito outra vez. Nada debaixo do sol é realmente novo. De vez em quando, alguém diz: “Isto é novidade!”. O fato, porém, é que nada é realmente novo. Não nos lembramos do que aconteceu no passado, e as gerações futuras tampouco se lembrarão do que fazemos hoje – Eclesiastes 1.1-11 (NVT)

 

E conclui:

Tudo sem sentido! Sem sentido! diz o mestre. Nada faz sentido! Nada faz sentido! – Ec 12.8

Como o sábio chegou a essa conclusão?

Que caminho ele tomou?

Quais foram os limites de sua reflexão?

Olhando as coisas na perspectiva “debaixo do sol”, limitando nosso olhar aos fenômenos físicos a conclusão do Qohelet é muito sensata.

  1. O SALMISTA – Tu és a fonte de vida

Os salmistas são os teóricos da vida plena. Eles falaram da vida com intensidade e poesia.

Feliz é aquele que não segue o conselho dos perversos, não se detém no caminho dos pecadores, nem se junta à roda dos zombadores. Pelo contrário, tem prazer na lei do Senhor e nela medita dia e noite. Ele é como a árvore plantada à margem do rio, que dá seu fruto no tempo certo. Suas folhas nunca murcham, e ele prospera em tudo que faz. […] Pois, o Senhor guarda o caminho dos justos, mas o caminho dos perversos leva à destruição – Salmo 1.1 a 3 e 6

 

Como é feliz aquele cuja desobediência é perdoada, cujo pecado é coberto! Sim, como é feliz aquele cuja culpa o Senhor não leva em conta, cuja consciência é sempre sincera! – Salmos 32.1 e 2

Bem-aventurados os que guardam a retidão e o que pratica a justiça em todo tempo – Salmo 106.3

 

Como são felizes os íntegros, os que seguem a lei do Senhor! Como são felizes os que obedecem a seus preceitos e o buscam de todo o coração. Não praticam o mal e andam em seus caminhos – Salmos 119.1-3

 

Pois em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz – Salmo 36.9

 

É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre – Salmo 133.3

 

O SENHOR é a porção da minha herança e o meu cálice; tu és o arrimo da minha sorte. Caem-me as divisas em lugares amenos, é mui linda a minha herança – Salmo 16.5 e 6

 

Deus é o doador da vida e como tal o único que dá sentido á vida.

A vida não pode ter em si mesma o seu sentido.

O sentido da vida procede de seu doador.

  1. PAULO – Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas

Paulo apresenta Deus como causa, meio e finalidade de todas as coisas, nisso se inclui a vida humana e seu sentido.

Como são grandes as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! É impossível entendermos suas decisões e seus caminhos! “Pois quem conhece os pensamentos do Senhor? Quem sabe o suficiente para aconselhá-lo?” “Quem lhe deu primeiro alguma coisa, para que ele precise depois retribuir?” Pois todas as coisas vêm dele, existem por meio dele e são para ele. A ele seja toda a glória para sempre! Amém – Romanos 11.33 a 36

 

  1. AGOSTINHO – Fizeste-nos para ti mesmo

 

LIVRO I

CAPÍTULO I

Louvor e invocação

  És grande, Senhor e infinitamente digno de ser louvado; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.  […] Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo.  Que eu, Senhor, te procure invocando-te, e te invoque crendo em ti, pois me pregaram teu nome. invoca-te, Senhor, a fé que tu me deste, a fé que me inspiraste pela humanidade de teu Filho e o ministério de teu pregador.

 

LIVRO X

CAPÍTULO XXII

A verdadeira felicidade

Longe de mim, longe do coração de teu servo, Senhor, que a ti se confessa, a idéia de encontrar a felicidade não importa em que alegria! A felicidade é uma alegria que não é concedida aos ímpios, mas àqueles que te servem por puro amor: tu és essa alegria! Alegrar-se de ti, em ti e por ti: isso é felicidade. E não há outra. Os que imaginam outra felicidade, apegam-se a uma alegria que não é a verdadeira. Contudo, sempre há uma imagem da alegria da qual sua vontade não se afasta.

Agostinho reconhece a Deus como o bem supremo, a razão da vida humana. Desta forma ele tão somente reconhece que Deus é quem dá sentido à vida. Ter Deus e ser tido por Deus é o verdadeiro sentido da vida.

  1. AMAR

Deus, que é amor, nos amou e ordenou que o amássemos:

Jesus respondeu: “‘Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente’ – Mateus 22.37

 

Amar a Deus é um mandamento e ao mesmo tempo o grande élan vital.

  1. ADORAR

Adorarmos ao que amamos.

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém! – Apocalipse 7.9 a 12

 

A vida plena é uma vida de adoração contínua ao único que é digno de ser adorado.

 

CONCLUSÃO

O sentido da vida não se encontra na própria vida.

O sentido da vida a transcende.

Deus, o doador da vida se constituiu ele mesmo o sentido da vida.

A vida sem Deus não faz sentido.

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