Jesus, o Pão que desceu do céu

Algum tempo depois Jesus partiu para a outra margem do mar da Galileia (ou seja, do mar de Tiberíades), e grande multidão continuava a segui-lo, porque vira os sinais miraculosos que ele tinha realizado nos doentes. Então Jesus subiu ao monte e sentou-se com os seus discípulos. Estava próxima a festa judaica da Páscoa. Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: Onde compraremos pão para esse povo comer? Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer. Filipe lhe respondeu: Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço! Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra: Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente? Disse Jesus: Mandem o povo assentar-se. Havia muita grama naquele lugar, e todos se assentaram. Eram cerca de cinco mil homens. Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes. Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos seus discípulos: Ajuntem os pedaços que sobraram. Que nada seja desperdiçado. Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido. Depois de ver o sinal miraculoso que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: Sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo. Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte – João 6.1-15

 

INTRODUÇÃO

Jesus fez um milagre de multiplicar pães e peixes e assim alimentou uma multidão de “cerca de cinco mil homens”. João registrou esse sinal para que seus leitores “creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome” – João 20.31.

Ao anoitecer Jesus fez com que seus discípulos descessem ao mar e cruzassem rumo a Cafarnaum. A multidão que fora alimentada por Jesus foi ao encontro dele no dia seguinte – João 6.16 a 24.

Ao ser abordado pela multidão Jesus foi incisivo com ela:

Jesus respondeu: A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos – João 6.26

 

E logo em seguida a exortou:

Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação – João 6.27

 

Para Jesus, não há nada de ilegítimo querer saciar a fome do corpo. O errado é saciar unicamente a fome do corpo e deixar a alma definhar. O pão sacia a fome do corpo, mas a fome da alma só pode ser saciada por aquele que é “o verdadeiro pão do céu” – verso 32 – “o pão que desceu do céu e dá vida ao mundo” – verso 33. Jesus é esse pão da vida – Verso 48.

 

  1. A FOME DO CORPO

Levantando os olhos e vendo uma grande multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: Onde compraremos pão para esse povo comer? Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer. Filipe lhe respondeu: Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço! – João 6.5-7

 

Henry Daniel Rops em seu livro A Vida Diária nos Tempos de Jesus nos informa que,

De modo geral, os israelitas dos dias de Cristo comiam frugalmente, como o faz a maioria das nações do oriente até hoje. O pão era o alimento essencial, básico: “comer pão” em hebraico significava “fazer uma refeição”, exatamente da mesma maneira que na Ilíada e na Odisseia, Homero chama o “homem” de “comedor de pão”. O pão devia ser então tratado com respeito: era proibido colocar carne crua sobre um pedaço de pão, ou um jarro de água ou um prato quente, sendo também proibido jogar fora as migalhas que, se fossem “do tamanho de uma azeitona deviam ser recolhidas. E o pão não devia ser cortado, mas partido.” Os pobres comiam pão de cevada, os ricos de trigo. O grão era moído entre duas mós, quase sempre pelas mulheres, e em casa. […] Para o povo comum, porém, o peixe era mais importante do que a carne: pão e peixe, uma refeição muito comum. Isto fica evidente nas palavras do Senhor: “Qual dentre vós é o homem que, se porventura, o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra?” No dia do milagre da multiplicação dos pães, as únicas provisões que os discípulos encontraram entre o povo foram peixes, “alguns peixinhos”, provavelmente secos. (1983, p. 132, 134)

 

A ingestão de carne era rara:

Comiam pouquíssima carne. Considerada como comida de luxo, os ricos a comiam à vontade, parte para exibirem-se, parte por gostarem dela. Os mais pobres jamais matavam um animal para comê-lo; mas quando havia, o novilho cevado, o novilho cevado proverbial da pará­bola, era uma vítima das mais adequadas, embora no geral um cabrito ou um cordeiro tomassem seu lugar. 0 animal era geralmente assado num fogo de lenha, como no méchoui dos árabes; mas havia também pratos feitos com lentilhas e carne de carneiro entre outros, o conhecido cozido. As galinhas não eram comuns, mas os pombos podiam ser obtidos a baixo preço. A caça era muito procurada e todos os reis, de Salomão a Herodes, tinham sido grandes comedores de caça. Os veados e as gazelas eram os pratos verdadeiramente reais; mas a perdiz e a codorniz também faziam parte dos preferidos, como também nossos ancestrais não desprezavam aquela ave elegante, o pavão indiano, considerado como um fino acepipe. (Rops, 1983, p. 133-134)

 

Pão e peixe representavam a dieta mais básica nos dias de Jesus. Para beber eles se valiam de água, leite, vinagre e vinho:

Um outro assunto sobre o qual a Lei tinha muito a dizer era a bebida. Havia certamente outras bebidas além do vinho para saciar a sede. Uma delas era a água pura das fontes e poços, tão gostosa nos dias de calor depois de um passeio demorado; ou o leite, o vinagre bem diluído com água (a posca dos romanos), o suco de romã ou de tâmaras meio fermentado, ou a shechar, uma espécie de cerveja leve feita de cevada e painço, semelhante à cervisio latina. A fim de surpreender os hóspedes, os que eram muito ricos ofereciam-lhes cerveja da Média. Mas nenhuma dessas bebidas podia comparar-se ao vinho que superava a todas. (Rops, 1983, p. 135)

 

A região da Judeia era bastante susceptível a ondas de seca e fome. Nos dias de Cláudio, imperador romano, houve uma fome severa na Judeia (48 – 51 AD):

Naqueles dias alguns profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Um deles, Ágabo, levantou-se e pelo Espírito predisse que uma grande fome sobreviria a todo o mundo romano, o que aconteceu durante o reinado de Cláudio. Os discípulos, cada um segundo as suas possibilidades, decidiram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judéia. E o fizeram, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Saulo – Atos 11.27-30

 

A fome profetizada por Ágabo ocorreu, segundo testemunho de Flávio Josefo, durante o reinado de Cláudio (Antiquidades, Livro 20. 2.5). A fome os oprimia na época (na época de Cláudio); e muitas pessoas morreram pela falta do necessário para obter comida. A rainha Helena enviou alguns de seus servos para Alexandria com dinheiro para comprar uma grande quantidade de grãos, e outros para Chipre para trazer uma carga de figos secos. Essa fome é descrita como tendo continuado sob os dois procuradores da Judéia, Tiberius Alexander e Cassius Fadus. Fadus foi enviado à Judéia, com a morte de Agripa, por volta do quarto ano do reinado de Cláudio, e a fome, portanto, continuou provavelmente durante os quinto, sexto e sétimo anos do reinado de Cláudio.

Para ajudar os irmãos da Judeia Paulo e os apóstolos organizaram uma coleta de ofertas:

Quanto à coleta para o povo de Deus, façam como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vocês separe uma quantia, de acordo com a sua renda, reservando-a para que não seja preciso fazer coletas quando eu chegar. Então, quando eu chegar, entregarei cartas de recomendação aos homens que vocês aprovarem e os mandarei para Jerusalém com a oferta de vocês. Se me parecer conveniente ir também, eles me acompanharão – 1 Coríntios 16.1-4

 

Nos dias de Jesus o Egito era o celeiro do mundo e Roma era o destino de grande parte da produção de grãos egípcios. Os povos da Palestina, exceto as legiões romanas, viviam do que podiam colher em suas escassas plantações de subsistência. Nalguns períodos de seca prolongada o povo sofria privações e muitos morriam de fome.

A Galileia era uma região onde havia relativa fartura de peixe, grãos, legumes e vinho. Mas, de tempos em tempos o povo tinha que conviver com a escassez de alimentos.

  1. A FOME DA ALMA

No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do mar percebeu que apenas um barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos. Então alguns barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde o povo tinha comido o pão após o Senhor ter dado graças. Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus. Quando o encontraram do outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Mestre, quando chegaste aqui?” Jesus respondeu: “A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação” – João 6.22-27

 

Jesus desmascarou a multidão referindo-se à intenção deles em obter satisfação dos apetites imediatos. Eles eram movidos por “bênçãos” e não queriam comer do pão “que permanece para a vida eterna” – verso 27.

É uma tendência humana viver no modo imediatista. Pão para hoje – lema de muitos movimentos políticos pelo mundo afora. O Evangelho Social enfatiza o pão diário em detrimento ao pão que “permanece para a vida eterna”.

Champlin comenta:

Aquela gente estava afeita a pensar e a esforçar-se a fim de obter o necessário para as suas necessidades físicas. Embora conseguissem escassos resultados; mas jamais haviam posto em ação as suas almas. A verdadeira vereda espiritual da oração, do aprendizado, da meditação, do serviço ao próximo etc., é uma vereda rigorosa, sendo esse o motivo por que tão poucos entram por ela ou mesmo obtêm sucesso em tais tentativas. De fato, é muito mais fácil trabalhar no mundo físico do que esforçar-se visando o desenvolvimento da própria alma. (____, Vol. 2, p. 356)

 

Assim como o nosso corpo tem fome de pão, nossa alma tem fome de um pão “que permanece para a vida eterna”. Nossa alma tem fome de Deus, de justiça, de paz e de comunhão.

  1. Fome de Deus

O salmista declara que sua alma anseia, tem fome e sede de Deus:

Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus? – Salmos 42.1 e 2

 

A minha alma apega-se a ti; a tua mão direita me sustém – Salmos 63.8

 

A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo – Salmos 84.2

 

Espero pelo Senhor mais do que as sentinelas pela manhã; sim, mais do que as sentinelas esperam pela manhã! – Salmos 130.6

 

Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti – Salmos 143.6

 

O anseio da alma do salmista é por Deus, por comunhão com Deus. Sua alma se alimenta de Deus. Deus é sua porção e herança:

Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. As divisas caíram para mim em lugares agradáveis: Tenho uma bela herança! – Salmos 16.5 e 6

  1. Fome de Justiça

A alma humana anseia por justiça. Sem justiça a alma se perturba, definha e se embrutece.

Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. […] Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, […] Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional – Salmos 73.1 a 3, 16, 21 e 22

 

  1. Fome de Paz

Além de fome por justiça, nossa alma anseia por paz. Ela suspira todos os dias: “Quem dera eu tivesse paz”.

Tu guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme, porque em ti confia. Senhor, tu estabeleces a paz para nós; tudo o que alcançamos, fizeste-o para nós – Isaías 26.3 e 12

Haverá uma rica semeadura, a videira dará o seu fruto, a terra produzirá suas colheitas e o céu derramará o orvalho. E darei todas essas coisas como uma herança ao remanescente deste povo – Zacarias 8.12

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus – Romanos 5.1 e 2

 

  1. Fome de Comunhão

Nossa alma tem fome de comunhão com Deus.

Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos! A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo. Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Como são felizes os que habitam em tua casa; louvam-te sem cessar! Como são felizes os que em ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração! Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; as chuvas de outono também o enchem de cisternas. Prosseguem o caminho de força em força, até que cada um se apresente a Deus em Sião. Ouve a minha oração, ó Senhor Deus dos Exércitos; escuta-me, ó Deus de Jacó.  Olha, ó Deus, que és nosso escudo; trata com bondade o teu ungido. Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar; prefiro ficar à porta da casa do meu Deus a habitar nas tendas dos ímpios – Salmos 84.1-10

 

Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa. Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmarmos que temos comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado – 1 João 1.3-7

 

 

 

  • O ACESSO À ÁRVORE DA VIDA

Voltemos ao início.

O privilégio do primeiro casal:

Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste; e ali colocou o homem que formara. O Senhor Deus fez nascer então do solo todo tipo de árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento. E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. […] Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: Foi isto mesmo que Deus disse: Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão – Gênesis 2.8,9 e 3.1 a 3

 

O acesso à árvore da vida é uma figura da necessidade que nós humanos temos de algo além de nós. Deus nos criou para dependermos sempre de algo/alguém além de nós mesmos.

O pecado original privou o primeiro casal do acesso à árvore da vida. Impedidos de se alimentarem da árvore da vida eles começaram a envelhecer e vieram a morrer. Havia uma dependência humana de algo além de si, ao não ter acesso a esse algo sua vida foi se definhando.

  1. QUEM DE MIM SE ALIMENTA POR MIM VIVERÁ

Então lhe perguntaram: O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer? Jesus respondeu: A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou. Então lhe perguntaram: Que sinal miraculoso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto; como está escrito: ‘Ele lhes deu a comer pão do céu’. Declarou-lhes Jesus: Digo-lhes a verdade: Não foi Moisés quem lhes deu pão do céu, mas é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo. Disseram eles: Senhor, dá-nos sempre desse pão! Então Jesus declarou: Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede. […] Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos? Jesus lhes disse: Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. Este é o pão que desceu do céu. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta deste pão viverá para sempre – João 6.28-35 e 48-58

 

Jesus se apresenta aos homens de Cafarnaum como “o pão da vida” e aquele “pão vivo que desceu do céu que dá vida ao mundo”. E afirma ainda que “comer desse pão, viverá para sempre”. Até aí os judeus ouviram de bom grado suas palavras. Mas Jesus foi além,

Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos? Jesus lhes disse: Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. Este é o pão que desceu do céu. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta deste pão viverá para sempre – João 6.51-58

 

Jesus afirmou que, quem come de sua carne e bebe de seu sangue,

  1. Tem vida em si mesmo.
  2. Tem a vida eterna.
  3. Será ressuscitado no último dia.
  4. Permanece em Cristo e Cristo nele.
  5. Viverá por sua causa.
  6. Viverá para sempre.

Yancey comentando os versos 53 a 57 afirmou:

Um convite para um ato imoral dificilmente teria perturbado mais gravemente os seguidores de Jesus. Suas palavras, proferidas no ápice de sua popularidade, logo após a alimentação de cinco mil pessoas, significou uma mudança drástica em sua aceitação pública. Os judeus ficaram tão confusos e indignados, que uma multidão de milhares de pessoas que tinham seguido Jesus ao redor de um lago para forçosamente coroá-lo seu rei dispersou-se silenciosamente. Muitos de seus discípulos mais próximos desertaram; seus irmãos o consideraram louco; as conspirações para matá-lo surgiram imediatamente. Dessa vez, Jesus tinha simplesmente ido longe demais. Pelo menos esses primeiros ouvintes captaram a extensão do que Jesus tinha feito. Ele despojou a palavra “sangue” de quatro mil anos de profundas associações. Nenhum judeu ingeria sangue — apenas os selvagens e os incircuncisos faziam isso. O sangue sempre foi derramado diante de Deus como uma oferta pela vida que pertencia a ele. Ainda assim, para essas mesmas pessoas, Jesus disse: “Bebam meu sangue”. É de estranhar que os judeus tenham se indignado, e os discípulos, se dispersado? […] Jesus se expressou daquela maneira não para ofender, mas para transformar a simbologia de forma radical. Deus havia dito a Noé: se você beber o sangue de um cordeiro, a vida do cordeiro entrará em você — não faça isso. Jesus na verdade disse: se você beber meu sangue, minha vida entrará em você — faça isso! Sendo assim, creio que Jesus queria que nossas cerimônias não incluíssem apenas a lembrança de sua morte passada, mas também a percepção de sua vida presente. Não podemos viver sem o sustento que a vida dele nos dá. (Yancey, Philip e Brand, Paul – Imagem e Semelhança de Deus, 2003, p. 30-31)

 

Jesus falava figuradamente e os judeus entenderam literalmente. Comer sua carne e beber seu sangue significa “viver por ele”, ou seja, viver na mais absoluta dependência dele.

Na analogia da videira em João 15 Jesus amplia o sentido de suas palavras: A cerimônia que nós chamamos de eucaristia (ou ceia do Senhor, ou Sagrada Comunhão) oficialmente remonta à última noite de Jesus com seus discípulos, antes da crucificação. Ali, no meio de um cômodo malventilado, cheio de seus assustados discípulos, Jesus disse pela primeira vez as palavras que vêm sendo repetidas milhares de vezes: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados” (Mt 26.28). Jesus mandou que seus discípulos tomassem o vinho, a representação de seu sangue. A oferta não foi apenas derramada, mas, sim, tomada, ingerida. Ele repetiu aquelas surpreendentes palavras: “Bebam dele todos vocês” (v. 27). Naquela mesma noite Jesus usou outra metáfora, talvez para esclarecer o significado do sangue compartilhado: “Eu sou a videira”, disse Jesus; “vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5; v. um discurso análogo em Jo 6.56). Rodeados pelas vinhas que cobriam as colinas ao redor de Jerusalém, os discípulos puderam entender mais facilmente essa metáfora. Um galho desligado dos nutrientes da vinha atrofia, seca e morre; inútil para qualquer coisa, exceto para arder em uma fogueira. Somente ligado à vinha, ele pode crescer, prosperar e dar frutos. Até mesmo na atmosfera carregada daquela última noite, na refeição de onde vem o sacramento, a imagem da vida brotou. Para os discípulos, o vinho simbolizava o sangue de Jesus que poderia vivificá-los, assim como a seiva vitaliza a vinha. (Yancey, 2003, p. 31)

 

O sangue é para nós o que a seiva da videira é para os ramos. Não há vida nos ramos cortados da videira, assim também não há vida em nós separados de Cristo, a videira verdadeira.

Champlin esclarece:

Outrossim, somente Deus possui a vida “necessária”, isto é, não fora a sua graça, nenhuma outra vida poderia existir. Somente Deus “não pode deixar de existir”. Todos os outros seres pertencem a uma categoria cm que a sua não existência é perfeitamente concebível para sempre. Assim, pois, esses versículos do evangelho de João, citados acima, ensinam a doutrina da vida “necessária” e “independente” de Deus. Contudo, ensinam-nos uma doutrina ainda mais extraordinária. E, essa doutrina é que Jesus Cristo, “na qualidade de homem”, quando de sua encarnação, tendo-se então tornado o homem representativo, recebeu esse tipo de vida “necessária” e “independente”. É verdade que ele já a possuía como o Filho de Deus: mas. como homem, recebeu-a de Deus Pai. (O trecho de João 5.26 diz-nos expressamente que a Jesus Cristo foi “dada” essa modalidade de vida). E os trechos de João 5.25 e 6.57 dizem-nos que Cristo tem o poder e a autoridade para conferir essa forma de vida aos outros homens também. Para essa exata finalidade é que todo esse quarto evangelho foi escrito — a outorga e o recebimento desse tipo de vida divina, vida essa que nem mesmo os anjos, por mais elevados e majestáticos que eles sejam, jamais possuirão. Por essa mesma razão é que a Bíblia declara que os crentes se tornam a plenitude de Cristo, aquele que preenche a tudo em todos. (Ef 1.23). Ora, isso jamais foi atribuído aos anjos, conforme é aqui atribuído aos crentes. Os homens, por conseguinte, se tornam verdadeiramente “imortais”, no mesmo sentido em que o próprio Deus é imortal, isto é, “não podem deixar de existir”. Os crentes também recebem vida em si mesmos, são autoexistentes. tais como o são Deus e Deus Filho. Ora. essa é a eucaristia celestial, através da qual tudo quanto Cristo é. em seu ser essencial, é transferido aos remidos. E a eucaristia terrena, ou cerimônia da Ceia do Senhor, é tão-somente o sinal simbólico dessa profundíssima realidade. A realidade espiritual é a “realidade simbolizada”, que precede, transcende e perdura infinitamente além do mero símbolo. (____, vol. 2, p. 366)

 

CONCLUSÃO

Nenhum homem pode saciar a fome de seu semelhante.

Coisas não podem saciar a fome humana.

Realizações e conquistas não podem saciar a fome humana.

Prazeres e entretenimentos não podem saciara a fome humana.

Jesus, o pão da vida, veio dos céus para saciar a fome de nossa alma.

 

 

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