Espelhos – Personagens do antigo testamento – Primeira Parte

Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer – Tiago 1.22 a 25

 

INTRODUÇÃO

Tiago instrui os destinatários de sua carta sobre a importância de ouvir e praticar a Palavra de Deus.

Uma das principais funções dos líderes espirituais é ensinar a comunidade a ler, meditar e praticar a Palavra de Deus.

Se apenas ler, não meditar e não praticar a leitura se perde.

Se apenas ouvir um sermão, não meditar e não praticar o que se aprendeu, ele igualmente se perde.

Tiago compara o mero ouvinte da Palavra a alguém que se contempla num espelho e “depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência”. Nenhuma providência foi tomada. Nada se fez em relação ao que se ouviu ou leu. Essa pessoa está enganando-se a si mesma.

Paulo nos adverte que,

… tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança – Romanos 15.4

 

A Palavra de Deus nos instrui basicamente de duas formas:

  1. Direta – por meio de uma instrução clara
  2. Indireta – por meio de narrativas e ilustrações

Jesus se valeu de uma ilustração que reforça a instrução de Tiago:

Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda – Mateus 7.24 a 27

 

 

 

 

 

  1. CAIM, ABEL E DEUS

Deus ordenou:

Não matarás – Êxodo 20.13

Essa é uma instrução direta.

A narrativa de Gênesis 4 – envolvendo Caim, Abel e Deus – serve para ilustrar as consequências do homicídio.

A narrativa é uma forma indireta de Deus reforçar a nós uma instrução direta da Palavra.

  1. CAIM

Primeiro filho de Adão e Eva. Seu nome é relacionado com a exclamação de Eva, de gratidão ao Senhor: “Alcancei do Senhor um homem” (Gn 4.1). Ele foi “lavrador da terra”, diferentemente de seu irmão, pastor de ovelhas (vv.2,3).

Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou – Gênesis 4.3 a 5

 

O resultado de seu enfurecimento foi o fratricídio:

Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: “Vamos para o campo”. Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou – Gênesis 4.8

 

Quando Deus perguntou-lhe o que acontecera com Abel, ele replicou com a famosa declaração: “Não sei. Acaso sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4.9). Caim foi então condenado pelo Senhor a ser “fugitivo e errante pela terra” (v.12). Para protegê-lo, enquanto vagasse pelo mundo, Deus colocou nele um sinal, para que não fosse morto, talvez pelos descendentes de Abel. Caim foi então para a terra de Node, a leste do Éden. (Quem é Quem na Bíblia)

Caim é um exemplo a ser evitado por nós:

Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas – 1 João 3.12

 

  1. ABEL

O segundo filho de Adão e Eva, irmão de Caim. “Abel” pode ser um derivado de um vocábulo hebraico que significa “sopro” ou “vaidade”, para prefigurar assim que sua vida seria curta. Ele se tornou pastor de ovelhas (Gn 4.2), enquanto Caim, agricultor. O sacrifício de Abel foi recebido favoravelmente pelo Senhor, mas o de Caim, não. A despeito de uma advertência feita por Deus sobre a necessidade de que ele dominasse o ímpeto do pecado, Caim conspirou contra seu irmão e o matou.

O Senhor aceitou a oferta de Abel, em detrimento da de Caim, porque o mais moço era justo (Mt 23.35; Hb 11.4; cf Gn 4.7) e oferecia o melhor do seu rebanho; sua justiça, porém não foi demonstrada pelo valor da oferta e sim pela sua fé (Hb 11.4). A morte prematura de Abel mostrou que a vindicação final da fé é uma esperança futura, mantida com a confiança em Deus. Um contraste, contudo, é estabelecido em Hebreus 12.24 entre o testemunho do sangue de Abel e o de Jesus; o de Abel providenciou um testemunho para Deus e trouxe uma maldição sobre Caim (Gn 4.10-12); o de Cristo é superior porque, embora derramado por pecadores, traz bênção e não maldição. (Quem é Quem na Bíblia)

Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala – Hebreus 11.4

 

  1. C) DEUS

Deus está presente e atuante do relato de Gênesis 4:

Gênesis 4 examina a atitude de Caim, depois que foi rejeitado por Deus. Ficou irado e deprimido (v.5). O Senhor falou com ele, a fim de confrontá-lo sobre sua reação e destacou que sua oferta seria aceita, se ele “procedesse bem”. A implicação do comentário de Deus, ao mencionar que “o pecado jaz à porta… sobre ele deves dominar” (v.7) é que aquele que nos sonda sabia que o coração de Caim era pecaminoso. Suas ações subsequentes confirmam essa impressão. Ele se irara contra o Senhor e seu irmão. Esse entendimento sobre o problema de Caim tem apoio em Hebreus 11.4, onde o escritor faz uma distinção entre ele e Abel no sentido da fé que o segundo demonstrou.

Quando Deus perguntou-lhe o que acontecera com Abel, ele replicou com a famosa declaração: “Não sei. Acaso sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4.9). Caim foi então condenado pelo Senhor a ser “fugitivo e errante pela terra” (v.12). (Quem é Quem na Bíblia)

Deus foi clemente e misericordioso com Caim. Podendo exterminá-lo por seu pecado gravíssimo, Deus ainda tentou dissuadi-lo de não matar seu irmão e lhe concedeu ainda a graça de viver, ainda que errante pela terra.

Jesus aprofundou essa questão:

Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno – Mateus 5.21 e 22

 

O ideal é que nos assemelhemos a Deus e aos que se assemelham a ele no relato. Nesse caso devemos nos perguntar:

  1. Em que sentido me pareço com Caim?
  2. Em que sentido me pareço com Abel?
  3. Em que sentido me pareço com Deus?
  4. ESAÚ, JACÓ E DEUS

A Palavra de Deus nos diz:

Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos. Não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas – Hebreus 12.14 a 17

 

A narrativa da história de Esaú e Jacó ilustra a importância de seguirmos a paz e a santificação.

  1. ESAÚ

O autor de Hebreus afirma que Esaú era:

  1. Imoral

Quando seus pais reprovaram as esposas que escolhera (Gn 26.34), saiu e casou-se com outra mulher, filha de Ismael (Gn 28.6-9). Para ele, os problemas da vida podiam ser resolvidos facilmente!

  1. Profano

Esaú era o que hoje chamaríamos de uma pessoa “acomodada”. Adorava a liberdade da vida ao ar livre (Gn 25.27) e não levava nada a sério. Suas atitudes rudes e a maneira como fugia das dificuldades da vida foram a causa de sua trágica queda. Era o filho primogênito dos gêmeos de Isaque e Rebeca (Gn 25.25) e tornou-se o favorito do pai (vv. 27,28). A disputa entre os dois ficou mais inflamada quando o patriarca percebeu que estava às portas da morte (Gn 27.1) e, portanto, era a hora de passar a bênção da família para seu filho primogênito; entretanto, Rebeca e Jacó o enganaram, ao aproveitar o fato de que não podia mais enxergar, de maneira que o mais novo recebeu a bênção no lugar do primeiro (vv. 5-19). Esaú teve uma explosão de genuína tristeza e fúria (Gn 27.34,41), mas sua natureza de pessoa “acomodada” não permitiu que sustentasse muito tempo a animosidade. Assim, quando Jacó retornou temeroso de Padã-Arã, o irmão o recebeu como se nada tivesse acontecido (Gn 32.3-7; 33.1-4). Infelizmente, seus descendentes edomitas mostraram ser muito mais intratáveis, e a pequena pedra que os dois irmãos atiraram no lago da história fez círculos cada vez maiores (Sl 137.7; Am 1.11; Ob 9 a 14). Esaú, entretanto, nada levava a sério. (Quem é Quem na Bíblia)

  1. Inclemente

O autor de Hebreus menciona a inclemência como um vício de Esaú. Ele viveu boa parte de sua vida nutrindo uma mágoa mortal de seu irmão Jacó.

Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera. E disse a si mesmo: Os dias de luto pela morte de meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó – Gênesis 27.41

 

O que Esaú considerava como “ter um ponto de vista complacente”, a Bíblia chama de “devasso” e “profano” (Hb 12.16) — a atitude de viver como se não existisse vida eterna nem valores absolutos. Para ele, não houve oportunidade para arrependimento (Hb 12.17). (Quem é Quem na Bíblia)

  1. JACÓ

Jacó nasceu como resposta da oração de sua mãe (Gn 25.21), nas asas de uma promessa (vv. 22,23). Será que Isaque e Rebeca compartilharam os termos da bênção com os filhos gêmeos, enquanto eles cresciam? Contaram logo no início que, de acordo com a vontade de Deus, “o mais velho serviria o mais novo”? Deveriam ter contado, mas as evidências indicam que não o fizeram. De acordo com o que aconteceu, o modo como Jacó nasceu (“agarrado”, Gn 25.26) e o nome que lhe deram (Jacó, “suplantador”), por muito tempo a marca registrada de seu caráter foi o oportunismo, a luta para tirar vantagem a qualquer preço e desonestamente.

Um encontro com Deus (Gn 28.1-22)

Logo depois que Jacó sentiu a desolação que trouxera sobre si mesmo, o Senhor apareceu a ele e concedeu-lhe uma viva esperança. Embora ele desejasse conquistar a promessa de Deus por meio de suas próprias manobras enganadoras, o Senhor não abandonou seu propósito declarado. A maior parte do restante da história gira em torno dessa tensão entre o desejo de Deus em abençoar e a determinação de Jacó de conseguir sucesso por meio da astúcia. Gênesis 28.13, que diz: “Por cima dela estava o Senhor”, tem uma variação de tradução que seria mais apropriada: “Perto dele estava o Senhor”, pois a bênção de Betel foi: “Estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores” (v. 15). Tudo isso sugere que a escada é uma ilustração do Senhor, que desce a fim de estar com o homem a quem faz as promessas (vv. 13,14). Numa atitude típica, Jacó tenta transformar a bênção de Deus numa barganha e literalmente coloca o Senhor à prova (vv. 20-22), ao reter o compromisso pessoal da fé até que Deus tivesse provado que manteria sua palavra. Quão maravilhosa é a graça do Senhor, que permanece em silêncio e busca o cumprimento de suas promessas, mesmo quando são lançadas de volta em sua face! Oportunistas, entretanto, não fazem investimentos sem um retorno garantido do capital! Jacó precisava trilhar um duro caminho, até aprender a confiar.

A oração de Jacó (Gn 32.1-21)

Seria uma crítica injusta dizer que Jacó ainda não havia aprendido a confiar no cuidado divino, em vez de confiar no esforço humano? Duas outras questões indicam que essa avaliação é correta: por que, encontrando-se em companhia dos anjos do Senhor (Gn 32.1), Jacó estava com medo de Esaú e seus 400 homens (vv. 6,7)? E por que, quando fez uma oração tão magnífica (Gn 32.9-12), voltou a confiar nos presentes que enviaria ao irmão (vv. 13-21)? Foi uma oração exemplar, de gratidão pelas promessas divinas (v. 9), reconhecendo que não era digno da bênção (v. 10), específica em seu pedido (v. 11), e retornando ao princípio, para novamente descansar na promessa de Deus (v. 12). Seria difícil encontrar oração como está na Bíblia. Jacó esperava a resposta de Deus, mas, sabedor de que Esaú já fora comprado uma vez por uma boa refeição (Gn 25.29ss), tratou de negociar novamente com o irmão. Ele ainda se encontrava naquele estado de manter todas as alternativas à disposição: um pouco de oração e um pouco de presentes. Estava, contudo, prestes a encontrar-se consigo mesmo.

Quando, porém, o relato da vida de Jacó prossegue, vemos que as coisas velhas não passaram totalmente, nem todas tornaram-se novas. O mesmo homem que “viu Deus face a face” (Gn 32.30) encontrou Esaú sorrindo para ele e toda a hipocrisia aflorou novamente: “Porque vi o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus” (Gn 33.10)! O homem que fora honesto (pelo menos) com Deus (Gn 32.26) ainda era desonesto com as pessoas, pois prometeu seguir Esaú até Edom (33.13,14 Seir) e não cumpriu a promessa; de fato, não planejara fazê-lo (33.17). Por outro lado, estava espiritualmente vivo e cumpriu fielmente a promessa que tinha feito ao declarar o Senhor de Betel (28.20,21) como seu Deus (33.20), ansioso para cumprir seu voto na íntegra (35.1-4) e trazer sua família ao mesmo nível de compromisso espiritual.

A disciplina de Deus, porém, educa e santifica (Hb 12.1-11) e Jacó emergiu dela com uma vida gloriosa: a cada vez que o encontramos, é como um homem que tem uma bênção para compartilhar — abençoou o Faraó (Gn 47.7,10), abençoou José e seus dois filhos (Gn 48.15-20) e abençoou toda a família, reunida ao redor do seu leito de morte (Gn 49). Agora, seu testemunho também é sem nenhuma pretensão: foi Deus quem o sustentou, o anjo o livrou (Gn 48.15). O antigo Jacó teria dito: “Estou para morrer e não posso imaginar o que será de vocês, sem a minha ajuda e sem as minhas artimanhas”. “Israel”, porém, o homem para quem Deus dera um novo nome, disse para José: “Eis que eu morro, mas Deus será convosco” (Gn 48.21). Um homem transformado, uma lição aprendida. (Quem é Quem na Bíblia)

  1. DEUS

Deus valorizou a escolha de Jacó e desprezou a escolha de Esaú.

Mas agora o Senhor declara: […] Honrarei aqueles que me honram, mas aqueles que me desprezam serão tratados com desprezo – 1 Samuel 2.30b (editado)

 

Uma advertência: a palavra do Senhor contra Israel, por meio de Malaquias. “Eu sempre os amei”, diz o Senhor. “Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste?’ “Não era Esaú irmão de Jacó? “, declara o Senhor. “Todavia eu amei Jacó, mas rejeitei Esaú – Malaquias 1.1 a 3a

 

Deus foi paciente com Jacó. Deus não deu a Esaú uma segunda chance quando este chorou em “alta voz” – Gênesis 27.8.

Nesse caso devemos nos perguntar:

  1. Em que sentido me pareço com Esaú?
  2. Em que sentido me pareço com Jacó?
  3. Em que sentido me pareço com Deus?
  • SAUL, DAVI E DEUS

Depois de rejeitar Saul, levantou-lhes Davi como rei, sobre quem testemunhou: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele fará tudo o que for da minha vontade’ – Atos 13.22

 

A Palavra de Deus nos ensina a perdoar e pedir perdão:

Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo – Efésios 4.31 e 32

 

A narrativa de Esaú e Davi ilustra a importância de seguir as recomendações de perdoar e pedir perdão.

  1. SAUL

Saul, filho de Quis e o primeiro rei de Israel, é uma das figuras mais enigmáticas da Bíblia. Sua história, registrada em 1 Samuel 9 a 31, fez com que alguns estudiosos levantassem questões sobre a justiça e a bondade de Deus e do seu porta-voz, o profeta Samuel. Além disso, muitos eruditos expressaram dúvidas quanto à coerência lógica e literária das narrativas em que a carreira dele é descrita. Tudo isso criou um desânimo geral para se descobrir a verdade sobre Saul, pois as narrativas, que não foram contadas coerentemente, dificilmente oferecerão uma autêntica base. Estudos recentes, contudo, ajudam a resolver algumas dessas questões teológicas, literárias e históricas.

Em 1 Samuel 13, Jônatas, e não Saul, fez o que o rei deveria ter feito, ao atacar a guarnição dos filisteus. Aparentemente, ao reconhecer que a tarefa de 1 Samuel 10.7 fora realizada, ainda que por Jônatas, Saul desceu imediatamente a Gilgal, de acordo com 1 Samuel 10.8, para esperar a chegada de Samuel. Como o profeta demorou muito, em sua ausência Saul tomou a iniciativa de oferecer os sacrifícios em preparação para a batalha, ao julgar que a situação militar não permitiria mais demora. Mal terminou de oficiar a holocausto, Samuel chegou. Depois de ouvir as justificativas de Saul, o profeta anunciou que o rei agira insensatamente, por isso seu reinado não duraria muito. Às vezes os comentaristas justificam ou pelo menos atenuam as ações de Saul e criticam a reação de Samuel como severa demais. Entretanto, à luz do significado da tarefa dada a Saul em 1 Samuel 10.7,8 como um teste para sua qualificação, tais interpretações são equivocadas. Na ocasião da primeira rejeição de Saul e na segunda (1 Sm 15), suas ações específicas de desobediência eram apenas sintomas da incapacidade fundamental para se submeter aos requisitos necessários para um reinado teocrático. Resumindo, eram sintomas da falta de verdadeira fé em Deus (cf.1 Cr 10.13). Depois de sua rejeição definitiva em 1 Samuel 15, Saul já não era mais o rei legítimo aos olhos de Deus (embora ainda permanecesse no trono por alguns anos) e o Senhor voltou sua atenção para outro personagem, ou seja, Davi. 1 Samuel 16 a 31 narra a desintegração emocional e psicológica de Saul, agravada pelo seu medo do filho de Jessé (1 Sm 18.29), pois pressentia que aquele era o escolhido de Deus para substituí-lo como rei (1 Sm 18.8; 20.31). Depois de falhar em diversas tentativas de ceifar a vida de Davi, Saul finalmente tirou a sua própria (1 Sm 31.4). (Quem é Quem na Bíblia)

  1. DAVI

Davi é o nome do maior rei de Israel e o ancestral humano do Senhor Jesus. Sua história, suas realizações e seus problemas receberam um tratamento extensivo, de 1 Samuel 16 a 2 Reis 1 e em 1 Crônicas 2 a 29. O significado do nome ainda é incerto. A conexão com a palavra acadiana dawidûm (chefe, comandante) é atraente, embora duvidosa. É mais provável que esteja associado com a raiz hebraica dwd (amor), para dar o significado de “amado”. Alguns sugerem que Davi seja um cognome real e que seu nome é Elanã (Heb. “Deus é gracioso”), o herói que matou Golias (2 Sm 21.19).

Depois que Saul foi rejeitado por seus atos de desobediência (1 Sm 15.26), o Senhor incumbiu Samuel da tarefa de ungir um dos filhos de Jessé. Os mancebos passaram um por vez diante do profeta, mas nenhum deles foi aprovado por Deus. Depois que os sete mais velhos foram apresentados a Samuel, ele não entendeu por que o Senhor o enviara a ungir um rei naquela casa. O profeta procurava um candidato que se qualificasse por sua estatura física. Afinal, anteriormente tinha dito ao povo que Saul preenchia os requisitos, devido à sua bela aparência: “Vedes o homem que o Senhor escolheu? Não há entre o povo nenhum semelhante a ele” (1 Sm 10.24). Jessé disse a Samuel que seu filho mais novo, chamado Davi, ainda cuidava dos rebanhos. Depois que foi trazido diante do profeta, ele teve certeza que aquele jovem atendia aos padrões de Deus, pois “o Senhor não vê como vê o homem. O homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Sm 16.7). Davi recebeu duas confirmações de sua eleição: Samuel o ungiu numa cerimônia familiar e o Espírito do Senhor veio sobre ele de maneira poderosa (v.13).

Elevado pela graça de Deus a uma posição de imenso poder, desejou ardentemente Bate- Seba, com quem teve relações sexuais; ao saber que estava grávida, tentou encobrir seu pecado, ordenou que Urias, o marido dela, fosse morto no campo de batalha e casou-se com ela legalmente (2 Sm 11). O profeta Natã proferiu um testemunho profético, condenando a concupiscência e a cobiça de Davi e seu comportamento vil (2 Sm 12). O rei confessou seu pecado e recebeu perdão (2 Sm 12.13; cf. Sl 32; 51), mas sofreu as consequências de sua perfídia pelo resto da vida. O bebê que nasceu da união com Bate-Seba ficou doente e morreu. Consequentemente, Davi experimentou instabilidade e morte em sua família. Amnom violentou a própria irmã, Tamar, e causou a desgraça dela (2 Sm 13); foi assassinado por Absalão, irmão da jovem.

Davi era humano, mas permaneceu fiel ao Senhor durante toda sua vida. Embora tenha pecado tragicamente contra Deus e o próximo, era um homem humilde. A sua força estava no Senhor, desde o princípio até o fim de seus dias. Os salmos atribuídos a ele falam desta verdade. Tal afirmação sobre sua confiança em Deus é também encontrada no final de 2 Samuel: “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, em quem me refúgio; o meu escudo, e força da minha salvação. Ele é o meu alto retiro, meu refúgio e meu Salvador — dos homens violentos me salvaste” (2 Sm 22.2,3). Os cânticos compostos por ele também trazem a correlação entre a humildade, a obediência e a bondade de Deus. Conforme Davi escreveu: “Com o puro te mostras puro, mas com o perverso te mostras sagaz. Livras o povo humilde, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os abates” (2 Sm 22.27,28). O Senhor não apenas mostrou seu poder para Davi e seus contemporâneos, mas também comprometeu-se a proteger todo o seu povo por meio do ungido, que descenderia do referido rei. (Quem é Quem na Bíblia)

  1. DEUS

Deus rejeitou a Saul por sua obediência contínua e resistência à penitência, o reconhecimento de seus erros. Saul nunca pede perdão a Deus. Saul se justifica, transfere sua culpa, persegue quem representa algum tipo de ameaça ao seu poder.

Deus escolheu Davi e viu nele um coração quebrantado:

Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás – Salmo 51.17

 

Nesse caso devemos nos perguntar:

  1. Em que sentido me pareço com Saul?
  2. Em que sentido me pareço com Davi?
  3. Em que sentido me pareço com Deus?

CONCLUSÃO

O exercício mais fundamental é ler (ou ouvir) a Palavra de Deus.

O exercício seguinte é meditar no que leu ou ouviu.

Porém, o exercício mais importante é colocar em prática o que se leu ou ouviu.

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