Como vivem os que são peregrinos de coração

Aqueles que possuem um coração peregrino vivem de modo diferente daqueles que não possuem. Mas, como vivem os que possuem um coração peregrino?

  1. ELES RIEM, CHORAM E SEMEIAM ENQUANTO RIEM E CHORAM

Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”. Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres. Senhor, restaura-nos, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto. Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes – Salmo 126.1 a 6

 

O contexto desse salmo é de libertação. O salmo fala de alegria, choro e semeadura.

Os peregrinos de coração sabem que foram libertos – do império das trevas para o reino de Deus – Colossenses 1.13.

O povo de Israel experimentou duas grandes libertações:

  1. Do cativeiro egípcio
  2. Do exílio em Babilônia

Todos os anos o povo de Israel celebrava a libertação. As festas anuais eram momentos de celebração.

O culto dos santos é sempre uma celebração ao Salvador.

O salmista fala de dois grupos de pessoas:

  • Nós – Os libertos por Deus

Esses se alegram no agir de Deus em seu favor.

  • As nações – Os que não tendo sido libertos por Deus observam nossa alegria

Eles contemplam os feitos do Senhor e reconhecem que são grandiosos.

Cada libertação nos faz com que “nossa boca se encha de riso e nossa língua de cantos de alegria”.

  1. A vida dos santos é marcada por alegria:

A alegria não é uma exigência do discipulado cristão, é uma consequência. Não é o que nós precisamos adquirir a fim de vivenciar a vida em Cristo; é o que vem a nós quando estamos andando no caminho da fé e obediência – (Uma Longa Obediência na mesma Direção – Eugene Peterson – Capítulo 8)

Arthur Schopenhauer, um filósofo existencialista, disse que viver é sofrer e em alguns momentos se alegrar em meio ao sofrer. A vida dos salvos é o inverso.

Quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, foi como um sonho. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”. Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres – Salmo 126.1 a 3

 

A sociedade sem Deus compra alegria:

A enorme indústria do entretenimento da América, por exemplo, é um sinal do esvaziamento de alegria da nossa cultura. A sociedade é um rei glutão entediado que emprega um bobo da corte para diverti-lo após uma refeição exagerada. Mas essa espécie de alegria nunca penetra nossas vidas, nunca muda nossa constituição básica. Os efeitos são temporários — alguns minutos, algumas horas, alguns dias quando muito. Ao se acabar o dinheiro, a alegria vai passando. Não conseguimos nos fazer alegres. Alegria não pode ser encomendada, comprada ou arranjada. (Peterson)

 

A alegria dos santos não é sem motivos:

  1. Eles partilham da alegria de Deus:

Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa – João 15.11

 

  1. Seus nomes estão escritos no livro da vida:

Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus – Lucas 10.20

 

  1. A alegria é um estilo de vida

Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração – Atos 2.46

 

Os discípulos continuavam cheios de alegria e do Espírito Santo – Atos 13.52

  1. O reino de Deus é alegria

Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo – Romanos 14.17

 

  1. A alegria é fruto do Espírito

Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei – Gálatas 5.22 e 23

 

  1. Haverá momentos de prantos:

Senhor, restaura-nos, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto. Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes – Salmo 126.1 a 6

 

O verso 4 é uma oração por restauração – Os salvos oram na alegria e na dor.

Ao chegar na terra prometida eles tiveram que semear a terra seca na esperança de que Deus lhes concedesse chuvas e uma boa colheita.

A alegria dos salvos é paradoxal: Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! – Filipenses 4.4

Esta alegria independe de nossa boa sorte em escapar de dificuldades. Não depende de nossa boa saúde e de evitar a dor. Alegria cristã é real no meio da dor, sofrimento, solidão e infelicidade. Paulo é nossa testemunha mais convincente disso. Ele está sempre, de uma maneira ou outra, exclamando sua alegria. As exclamações são timpânicas, ressoando por todos os movimentos de sua vida: “Nós continuamos a exclamar nosso louvor mesmo quando estamos cercados de dificuldades, porque sabemos como as dificuldades podem produzir a paciência apaixonada em nós, e como essa paciência por sua vez forja o aço temperado da virtude, conservando-nos alertas para qualquer coisa que Deus fará em seguida… Cantamos e exclamamos nossos louvores a Deus através de Jesus, o Messias!” (Rm 5.3-5,11). Isso é o cumprimento da oração: “E agora, Deus, faça-o de novo — traga chuva às nossas vidas ressequidas”. (Peterson)

 

Os salvos também sofrem as dores da vida nesse mundo. A grande diferença é que nunca sofrem sozinhos:

Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo – João 16.33

 

Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei”. Podemos, pois, dizer com confiança: “O Senhor é o meu ajudador, não temerei. O que me podem fazer os homens”? – Hebreus 13.5 e 6

 

  1. A semeadura ocorre o tempo todo:

Somos semeadores nesse mundo:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna – Gálatas 6.7 e 8

 

E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé – Gálatas 6.9 E 10

 

Então, eu disse: semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao SENHOR, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós – Oséias 10.12

 

A Bíblia nos exorta a semear:

  1. O bem
  2. A justiça
  3. A paz
  4. O amor – misericórdia
  5. Boas palavras
  6. Gratidão
  7. Harmonia

Porque riem e choram enquanto semeiam os salvos sabem se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram:

Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram – Romanos 12.13

 

  1. ELES TRABALHAM COM DILIGÊNCIA E HONESTAMENTE VIVEM DO FRUTO DE SEUS TRABALHOS

Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama. Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem cuja aljava está cheia deles! Não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal – Salmo 127.1 a 5

 

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero – Salmo 128.1

 

O trabalho é visto por muitos como uma tortura – tripalium (três paus)

Os salvos veem o trabalho como uma oportunidade para glorificar a Deus.

O Salmo 127 mostra tanto a forma certa como a forma errada de operar. Coloca um aviso e fornece um exemplo para guiar os cristãos em trabalho que é feito para a glória de Deus. (Peterson – capítulo 9)

 

O viver displicente é um modo desordenado de vida:

Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: se alguém não quiser trabalhar, também não coma. Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia. A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão – 2 Tessalonicenses 3.10 a 12

 

Estamos recebendo notícia que um punhado de vagabundos preguiçosos estão tirando proveito de vocês. Isso não deve ser tolerado. Ordenamos que comecem a trabalhar imediatamente — nada de desculpas, nada de argumentos — e ganhem seu próprio sustento. Amigos, não amoleçam em fazer sua obrigação – 2 Tessalonicenses 3.10 a 12 (Bíblia A Mensagem)

 

Em Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo o sociólogo alemão Max Weber defende a visão dos povos protestantes de que o trabalho traz prosperidade é uma oportunidade de desenvolver as habilidades concedidas por Deus ao seu povo para a consolidação do reino de Deus entre os homens.

O assistencialismo é danoso para os assistidos a longo prazo.

Testemunho de um casal evangelizado numa favela de Belo Horizonte:

Certo casal, assistido por cestas básicas doados por uma igreja, resolveu visitar a igreja que os ajudava. O marido, que era borracheiro, se converteu e levou toda a família para a igreja. Assim que se converteu ele tirou os calendários de mulheres nuas das paredes da borracharia, parou de beber, investiu na família, reformou sua casa, investiu na educação dos filhos e prosperou.

Em 10 anos de conversão sua borracharia era procurada por pessoas que moravam nos bairros vizinhos. Ele havia oferecido emprego a três outros borracheiros e uma secretária. Sua casa se destacava no cenário da favela e era bem-quisto na comunidade como um homem bom e generoso.

Trabalho e honestidade são valores dos salvos.

  1. Deus honra o trabalho honesto:

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero – Salmo 128.1

 

  1. Comer do fruto do seu trabalho é uma dádiva de Deus:

Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus – Eclesiastes 3.12 e 13

 

Assim, descobri que o melhor e o que vale a pena é comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus dá ao homem, pois essa é a sua recompensa. E, quando Deus concede riquezas e bens a alguém, e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus – Eclesiastes 5.18 e 19

 

Confissão de um dono de mercado:

Certo comerciante nos contou que ao se converter tomou a decisão de não vender bebidas alcoólicas. A decisão foi difícil de ser tomada porque o lucro da venda de bebidas alcoólicas é alto. Uma garrafa custa em média 10 vezes menos do que o valor final dela vendida em doses.

Assim que ele parou de vender bebidas alcoólicas em seu estabelecimento ele percebeu uma mudança nos clientes do mercadinho. Os bêbados desapareceram e começou a aparecer homens, mulheres e crianças. Rapidamente ele viu que o lucro da venda de bebidas era ilusório e trazia consigo inúmeras dores de cabeça. Até seu sono ficou diferente.

[…] o Salmo 127 mostra um modo de funcionar que não é nem atividade pura nem passividade completa. Não glorifica o trabalho como tal e não condena o trabalho como tal. Não diz: “Deus tem uma grande obra para você fazer; vá fazê-la”. Nem diz: “Deus já fez tudo; vá pescar”. Se queremos soluções simples com respeito ao trabalho podemos nos tornar “workaholics”, compulsivos no trabalho, ou “dropouts”, desistentes permanentes do trabalho. (Peterson)

 

Na comunidade cristã de Éfeso havia gente que antes de se converter eram ladrões, salteadores, gente desonesta. A esses Paulo adverte:

O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade – Efésios 4.28

 

O trabalho deve ser feito com honestidade para o sustento próprio e de sua família, para auxiliar os que estiverem em necessidade, para a glória de Deus.

Nosso trabalho sai errado quando perdemos contato com o Deus que trabalha “sua salvação no meio da terra”. Sai tudo errado quando trabalhamos ansiosamente como quando não trabalhamos de forma nenhuma, quando nos tornamos frenéticos e compulsivos em nosso trabalho (Babel) como quando ficamos indolentes e letárgicos no trabalho (Tessalônica). A verdade fundamenta] é que o trabalho é bom. Se Deus o faz, deve ser certo. O trabalho tem dignidade: não pode haver nada degradante com o trabalho se Deus trabalha. O trabalho tem propósito: não pode haver nada de inútil com o trabalho se Deus trabalha. (Peterson)

 

  • ELES AMAM VIVER EM FAMÍLIA

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor! Que o Senhor o abençoe desde Sião, para que você veja a prosperidade de Jerusalém todos os dias da sua vida, e veja os filhos dos seus filhos. Haja paz em Israel! – Salmo 128

 

  1. K. Chesterton afirmou: A coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns.

A família é o alicerce moral da sociedade e da igreja.

A igreja é uma família estendida. Existe a família nuclear – pai, mãe, filhos – e a família estendida – parentes, amigos e irmãos da fé.

Por que a sociedade, em especial os ditos progressistas, odeiam a família?

O pretexto é o patriarcado. Outro pretexto é a noção equivocada de machismo cultural.

A razão é bem outra:

Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual. A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública. A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento, e uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.

Acusai-nos de querer abolir a exploração das crianças por seus próprios pais? Confessamos este crime. Dizeis também que destruímos os vínculos mais íntimos, substituindo a educação doméstica pela educação social. E vossa educação não é também determinada pela sociedade, pelas condições sociais em que educais vossos filhos, pela intervenção direta ou indireta da sociedade por meio de vossas escolas, etc?

Os comunistas não inventaram essa intromissão da sociedade na educação, apenas mudam seu caráter e arrancam a educação à influência da classe dominante. As declamações burguesas sobre a família e a educação, sobre os doces laços que unem a criança aos pais, tornam-se cada vez mais repugnantes à medida que a grande indústria destrói todos os laços familiares do proletário e transforma as crianças em simples objetos de comércio, em simples instrumentos de trabalho.

Toda a burguesia grita em coro: “Vós, comunistas, quereis introduzir a comunidade das mulheres!” Para o burguês, sua mulher nada mais é que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão explorados em comum, conclui naturalmente que haverá comunidade de mulheres. Não imagina que se trata precisamente de arrancar a mulher de seu papel atual de simples instrumento de produção.

Nada mais grotesco, aliás, que a virtuosa indignação que, a nossos burgueses, inspira a pretensa comunidade oficial das mulheres que adotariam os comunistas. Os comunistas não precisam introduzir a comunidade das mulheres. Essa quase sempre existiu. Nossos burgueses, não contentes em ter à sua disposição as mulheres e as filhas dos proletários, sem falar da prostituição oficial, têm singular prazer em cornearem-se uns aos outros.

[…]

Mas essas obras socialistas e comunistas encerram também elementos críticos. Atacam a sociedade existente em suas bases. Por conseguinte, forneceram em seu tempo materiais de grande valor para esclarecer os operários. Suas propostas positivas relativas à sociedade futura, tais como a supressão da distinção entre a cidade e o campo, a abolição da família, do lucro privado e do trabalho assalariado, a proclamação da harmonia social e a transformação do Estado numa simples administração da produção, todas essas propostas apenas anunciam o desaparecimento do antagonismo entre as classes, antagonismo que mal começa e que esses autores somente conhecem em suas formas imprecisas. Assim, essas propostas têm um sentido puramente utópico. (Manifesto Comunista)

 

Os progressistas querem a abolição da família acusando-a de ser o bastião da sociedade burguesa. Por trás do discurso bem elaborado está a ânsia por um estado totalitário.

Sistemas totalitários sempre tiveram problemas com a Igreja e Família.

Todos os sistemas totalitários encontraram dificuldades com a missão profética da Igreja e conservadora da Família.

A Igreja é a embaixadora do reino de Deus.

A Família é a base da Igreja.

A abolição da Família é a forma mais efetiva de eliminar o espírito profético da Igreja.

Peterson oferece um contraponto:

Grande parte da felicidade do mundo depende de tirar de um para satisfazer outro. Para erguer meu padrão de vida, pessoas em outra parte do mundo precisam abaixar o deles. A crise mundial de fome que enfrentamos hoje é resultado desse método de buscar a felicidade. Nações industrializadas adquirem apetite por luxo cada vez maior e mais altos padrões de vida, e então um número cada vez maior de pessoas é levado à pobreza e à fome. Não precisa ser assim. Os peritos do assunto da fome global dizem que há o suficiente para dar subsistência para todos no momento atual. Não temos um problema de produção. Temos a capacidade agrícola para produzir alimento suficiente. Temos a tecnologia do transporte para distribuir o alimento. Mas temos um problema de ganância: se eu não pego o meu enquanto posso, poderei não ser feliz. O problema da fome não será resolvido pelo governo nem pela indústria, e sim na igreja, entre cristãos que aprendem um modo diferente de buscar felicidade. Bênção cristã é um reconhecimento de que “mais abençoado é dar do que receber”. À medida que aprendemos a dar e compartilhar, nossa vitalidade aumenta, e as pessoas a nossa volta tomam-se vinhedos frutíferos e rebentos de oliveira em nossas mesas.

 

E conclui:

Todo o mundo quer ser feliz, ser abençoado. São demais os indivíduos que voluntariamente recusam dar atenção àquele que quer nossa felicidade, e supõem, em sua ignorância, que o caminho cristão é um meio mais difícil de conseguir o que querem do que agir por conta própria. Estão enganados. Os modos de Deus e a presença de Deus estão onde nós experimentamos a felicidade que dura. Aja do modo fácil: “Todos vocês que temem a D eu s, como vocês são abençoados! Com quanta alegria vocês caminham nesta estrada plana e reta!

 

Os salvos possuem parâmetros familiares mais elevados:

Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo – Efésios 5.22 a 28

 

Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. “Honra teu pai e tua mãe”, este é o primeiro mandamento com promessa: “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”. Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor – Efésios 6.1 a 4

 

  1. ELES SÃO INQUILINOS DE DEUS E VIZINHOS DE PECADORES

Muitas vezes me oprimiram desde a minha juventude; que Israel o repita: muitas vezes me oprimiram desde a minha juventude, mas jamais conseguiram vencer-me. Passaram o arado em minhas costas e fizeram longos sulcos. O Senhor é justo! Ele libertou-me das algemas dos ímpios. Retrocedam envergonhados todos os que odeiam Sião. Sejam como o capim do terraço, que seca antes de crescer, que não enche as mãos do ceifeiro nem os braços daquele que faz os fardos. E que ninguém que passa diga: “Seja sobre vocês a bênção do Senhor; nós os abençoamos em nome do Senhor!” – Salmo 129

 

O salvo – o justo – vive rodeado de ímpios.

Deus é o dono de tudo: “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem… – Salmo 24.1. Até o ímpio pertence a Deus.

Deus não pune o ímpio imediatamente:

Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto os pecados de outros se manifestam posteriormente – 1 Timóteo 5.24

 

Às vezes o poder está nas mãos de quem não deveria estar:

De novo voltei a minha atenção e vi toda a opressão que ocorre debaixo do sol: Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder estava do lado dos seus opressores, e não há quem os console – Eclesiastes 4.1

 

Mas o consolo do justo está na Palavra de Deus que diz:

Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera! Não é o caso dos ímpios! São como palha que o vento leva. Por isso os ímpios não resistirão no julgamento, nem os pecadores na comunidade dos justos. Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à destruição! – Salmo 1.1 a 6

 

Em um mundo de injustiças o salvo é convidado a perseverar:

Os salmos não são cantados por peregrinos perfeitos. Os peregrinos de antigamente cometiam seus erros, assim como nós cometemos os nossos. Perseverança não significa “perfeição”. Significa que prosseguimos. Não desistimos quando descobrimos que ainda não somos maduros e que há ainda uma longa viagem pela frente. Somos pegos gritando com nossas esposas, nossos maridos, nossos amigos, nossos chefes, nossos funcionários, nossos filhos. Nossos gritos (embora não tudo!) significam que damos importância a alguma coisa: importamo-nos com Deus; importamo-nos com os modos do reino; importamo-nos com a moralidade, a justiça, a retidão. O caminho da fé centra e absorve nossa vida, e quando alguém torna difícil o caminho, joga blocos de impedimento no caminho dos inocentes que fazem tropeçar, cria dificuldades para aqueles que são jovens na fé e sem prática na obediência, há ira: “Ah, que aqueles que odeiam Sião se arrastem em humilhação!” Pois a perseverança não é resignação, aguentar as coisas como estão, fazer as mesmas coisas anos seguidos, nem ser um capacho em que as pessoas limpem seus pés. Resistência não é um apego desesperado, e sim um viajar de força em força. Não há nada cansado ou monótono em Isaías, nada despreparado em Jesus, nada insípido em Paulo. A perseverança é triunfante e viva. […] A perseverança não é o resultado de nossa determinação, mas sim o resultado da fidelidade de Deus. Nós sobrevivemos no caminho da fé não porque temos resistência extraordinária, mas porque Deus fica junto de nós. O discipulado cristão é um processo de prestar cada vez mais atenção à justiça de Deus e cada vez menos atenção a nossa própria; encontrar o sentido de nossa vida não em examinar nossos estados de espírito e motivações e moralidades, e sim em crer na vontade e nos propósitos de Deus; fazer um mapa da fidelidade de Deus, não um gráfico da elevação e queda de nossos entusiasmos. E a partir desse tipo de realidade que nós adquirimos perseverança. (Peterson – capítulo 11)

 

Publicar um comentário